Paes garante: PMDB terá candidato
Leandro Donatti
Albari RosaO presidente nacional do PMDB, deputado Paes de Andrade, disse ontem em Curitiba que não vai admitir que qualquer uma das alas do partido - a que defende lançamento de candidatura própria ou a que apóia a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - descumpra a decisão da maioria dos delegados, no encontro extraordinário do próximo dia 8 de março, em Brasília. Não permitirei que nenhuma decisão seja rasgada, ou que se façam em nossas muralhas nenhum cavalo de Tróia. Existem a força moral e a força dos estatutos. Quem não respeitar, terá de deixar o partido, disse o dirigente, durante encontro nacional dos presidentes estaduais, que escolheram o Paraná para confrontar as duas teses. Andrade não acredita que o resultado da encontro, seja qual for, rachará o PMDB.
Albari RosaUnidos na desunião
Paes de Andrade, ao lado de Roberto Requião (acima): líder do partido aposta que a tese da candidatura própria será vitoriosa no encontro programado para o mês que vem, garante que o PMDB não sairá rachado do encontro e ameaça: quem não se submeter à decisão da maioria, terá de deixar o partido. Mas Odacir Klein (ao lado), defensor da reeleição de Fernando Henrique, questiona a oportunidade do encontro que irá decidir se o PMDB apóia o presidente ou se lança candidato para enfrentá-lo nas urnas.Defensor do lançamento de nome próprio e da formação de aliança de centro-esquerda com PT, PC do B, PSB, PDT e PPS, Andrade entende como irreversível a vitória sobre os governistas. É uma dissidência que quer apoiar o presidente. Eles só são maioria no Senado e na Câmara, por razões óbvias. A base quer candidato próprio, garantiu. O presidente do PMDB garante que o apoio manifestado pelo ex-presidente José Sarney, diante da disposição de Itamar Franco em ser o candidato, e a sua presença junto ao presidente Fernando Henrique, no aeroporto de Aracaju, com a filha Roseane Sarney, não inviabiliza a consulta do seu nome (de Sarney) no dia 8. Temos três pré-candidatos: os senadores (Roberto) Requião, Sarney e o Itamar. O Sarney só esteve lá porque a filha é governadora do PFL, partido que dá sustentação ao presidente, observou.
As projeções do comando nacional do PMDB são das mais otimistas. Paes de Andrade assegura que a tese da candidatura própria é majoritária nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Amapá, Ceará, Sergipe e Alagoas. Mas admite que há redutos governistas a serem quebrados, principalmente em Goiás, Pará e Rio Grande do Sul. O único dos pré-candidatos presentes no encontro nacional promovido pelo PMDB do Paraná, o senador Requião, foi mais longe ainda. Segundo ele, a Fundação Pedroso Horta fez uma pesquisa informal, por amostragem, junto a 300 dos 690 convencionais com direito a voto, e 85% manifestaram-se a favor de o PMDB enfrentar o PSDB na sucessão presidencial. Para nós, está claro que esta ala que defende apoio ao Fernando Henrique é puramente fisiológica, discursou.
Se vencida a primeira etapa, a decisão de uma candidatura própria, que será discutida no encontro de março, o presidente Paes de Andrade diz que o próximo passo será avançar na aliança de centro-esquerda. Há um clima de muita receptividade, avalia o dirigente. Ele toma como base os contatos que já vêm mantendo com os presidentes do PC do B, João Amazonas; do PSB, Miguel Arraes; do PDT, Leonel Brizola; e até com o do PPS de Ciro Gomes. Eu sei que existem diferenças pessoais entre o Ciro e o senador Requião, mas não podemos excluir o PPS, afirmou Andrade, numa referência ao último bate-boca protagonizado entre os dois. O presidente do PPS questionou a conduta ética de Requião, que ontem lhe mandou recado. Discordo com o Brizola quando diz que o Ciro é um FHC com 10% de desconto. Ele é um FHC com 30% de acréscimo, comparou.





