Paes de Andrade sofre mais boicote de peemedebistas
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de setembro de 1998
Paulo Mota Agência Folha 
Apesar de ter derrotado os governistas do PMDB na pretensão de apoiar a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, o deputado Paes de Andrade não conseguiu unificar a seção cearense do partido no apoio ao candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, e está sofrendo boicotes internos na campanha ao Senado.
Na quinta-feira passada, o prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães (PMDB), anunciou o apoio a FHC. Magalhães é aliado histórico de Paes. Foi eleito prefeito em 1996 no primeiro turno. Antes, em 1992, ele havia conseguido fazer Antônio Cambraia como sucessor.
Nos bastidores da campanha de Paes ao Senado, o clima é de denúncias de traições e de corpo mole de algumas das principais lideranças peemedebistas. Um assessor de Paes diz que, dos 11 prefeitos que o partido tem no Estado, apenas Juraci o está apoiando, mesmo assim com muita timidez.
A falta de coesão do PMDB e a estratégia de rolo compressor dos adversários tucanos já causaram uma reviravolta nas pesquisas. Na pesquisa Datafolha de 14 de agosto passado, Paes liderava a disputa com 40%, contra 24% de Luiz Pontes (PSDB). Na pesquisa do dia 2 passado, Pontes tinha 41%, contra 28% de Paes.
A oposição contra FHC é o principal trunfo de Paes. Nos comícios, ele é apresentado como o cabeça-chata que derrotou o arrogante FHC e impediu que o PMDB fosse vendido ao governo. Mas, se esse sentimento serviu para viabilizar o apoio da esquerda cearense a Paes, serviu também para despertar a ira do PSDB cearense, que estabeleceu como prioridade sua derrota.


