Paes acena para possibilidade de compor com o PPS
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segunda-feira, 29 de junho de 1998
Denise Madue¤o Agência Folha 
O presidente do PMDB, Paes de Andrade, acenou ontem com a possibilidade de parte do partido apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PPS) à Presidência da República. Paes anunciou que a ala contrária à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso vai se reunir em Minas Gerais, em data ainda a ser marcada, para definir as linhas básicas de atuação partidária.
Na reunião, os peemedebistas deverão definir que candidato irão apoiar, já que não houve quórum para votação na convenção formal do partido, anteontem. Vamos escolher o nosso palanque, disse. Paes afirmou que o grupo peemedebista vai defender a soberania nacional e um projeto alternativo de poder durante a campanha eleitoral. O presidente do PMDB participou ontem da convenção do PL que formalizou apoio a Ciro Gomes.
Quem sabe se amanhã não estaremos confraternizando em praça pública,
disse Paes, durante discurso para a cúpula e os convencionais do PL. Com o discurso, o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), afirmou que não vai procurar os dissidentes do PMDB em busca de apoio. Vamos esperar a decisão do partido, disse.
Paes foi saudado na convenção do PL como símbolo da resistência democrática e como novo líder dos que fazem política séria nesse país pelo presidente do partido, Álvaro Valle (RJ). O presidente do PMDB afirmou que os governistas não foram à convenção porque seriam derrotados. Trocaram o voto secreto pela fuga. Nunca vi maioria fugir, disse. O PMDB saiu fortalecido. A bandeira do partido está nas mãos dos militantes e da direção nacional. O PMDB não foi alugado, doado nem comprado.
Paes afirmou que vai recorrer à Justiça para impedir a dissolução do Diretório Nacional, caso os governistas concretizem a ameaça de renúncia coletiva de seus integrantes. É uma insânia, um choro de desvairados. Seria uma renúncia comprada, barganhada e inepta, disse Paes. Ele afirmou que vai apelar aos governistas para pôr fim às agressões entre as duas alas do partido. Ainda temos um ponto de encontro: fortalecer o PMDB, cada um em seu palanque, para que o partido saia das urnas com a maior bancada na Câmara e no Senado, disse.


