Padres-candidatos deixam a Igreja dividida
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sábado, 02 de setembro de 2000
Edinelson Alves De Londrina Especial para a Folha 
A Igreja está divida em relação a opção dos padres em conciliar, durante o mandato, a celebração dos sacramentos religiosos com a atividade política. Mesmo assim, pelo menos cinco padres disputam o cargo de prefeito no Paraná. Outro concorre a uma vaga na Câmara de Vereadores. Atualmente há dois padres à frente do Executivo de suas respectivas paróquias: o padre Luiz Pereira (PSC), de Ivaiporã, região do Vale do Ivaí, e Celso da Silva (PSDB), de Munhoz de Melo, no Noroeste.
Padre Luizinho, como é conhecido, afirma que os três anos e oito meses à frente da prefeitura foram um verdadeiro purgatório. Ele nem quer ouvir falar em reeleição. Já o padre Celso está em campanha para conquistar um outro mandato. Também se destacam na política paranaense o deputado federal Roque Zimmermann (PT), o padre Roque (PT), e o ex-padre Valter Pegoger (PFL), ex-prefeito de Apucarana e atual candidato a prefeito.
Para o bispo auxiliar de Umuarama, Frederico Heimler, o padre-candidato provoca divisão na paróquia. Quando o padre faz o juramento para assumir o sacerdócio, o seu compromisso maior é a busca da união da comunidade. Da forma como a nossa política é praticada, isso é impossível. Os filiados de um partido são contrários aos filiados de uma outra sigla diferente. Infelizmente existe essa divisão na política. Ao se filiar a um partido, o padre passa a receber a oposição dos membros de outros partidos. Isso não unifica, mas provoca a divisão da comunidade, afirma.
Ele faz a seguinte comparação: Como fica o sermão de um padre durante uma celebração em que há fiéis de todos os partidos? Todos são moradores da paróquia e merecem a mesma atenção. À medida que o padre está vinculado a uma agremiação política, certamente haverá os opositores. Nós respeitamos o direito e a liberdade de cada um em exercer a sua cidadania, mas não podemos ser a favor de uma decisão que provoca toda tipo de divisão na comunidade. O papel da Igreja deve sempre estar acima dos interesses político-partidários, afirma o bispo de Umuarama.
A postura do bispo de Campo Mourão, Mauro Aparecido dos Santos, também é contrária à participação dos párocos na política. De acordo com o Conselho Presbiterial da Diocese, com jurisdição sob 38 paróquias, o padre que sair candidato, perdendo ou ganhando as eleições, não mais poderá exercer o ministério no mesmo município.
Para D. Mauro, a proibição da candidatura dos religiosos é uma decisão que fere o direito canônico. A participação político-partidária é uma atividade essencialmente voltada para os leigos, reforça. O bispo de Campo Mourão cita um exemplo histórico para reforçar sua linha de raciocínio: Jesus, na sua época, também viveu entre os políticos e seus partidos. Com sua grande popularidade, recebeu convites de todas as facções, mas ele sempre disse não, justamente para não confundir a sua missão pastoral com os interesses dos políticos e dos partidos.
Com dois candidatos sob a jurisdição de sua diocese (um candidato a prefeito em Nova Fátima e outro a vereador do distrito de Panema, em Santa Mariana), o bispo de Cornélio Procópio, Getúlio Teixeira Guimarães, afirma ser pessoalmente contrário à figura do padre-político, de acordo com orientação da CNBB Sul II, que engloba as dioceses do Paraná. Mas faz uma ressalva. Respeito a decisão dos padres como cidadão, mas eles devem ficar licenciados durante o período eleitoral, pois a Igreja não tem partidos e não dever apoiar um candidato e ser contra o outro, esclarece.
O bispo que tem o maior número de sacerdotes candidatos (são três em campanha, e ainda o padre de Ivaiporã, que cumpre o final de seu mandato) D. Domingos Gabriel Wisniewicz, de Apucarana, disse que só vai falar sobre esse assunto depois das eleições. Não quero prejudicar ou beneficiar candidaturas, justificou.


