O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que se transformou no fiel da balança nas eleições para presidente da Câmara Municipal que, por consequência, deve ocupar a prefeitura interinamente, sinalizou ontem que pretende trabalhar o nome do vereador Padre Roque (PTB) para ocupar os cargos. Vereador de primeiro mandato, Padre Roque ocupava a vice-presidência na chapa formada pelo chamado ''grupo dos 12'', e que ainda tem Sandra Graça (PP) como candidata a presidente. Padre Roque é sacerdote licenciado da Igreja Católica, tem 48 anos, e sua única experiência política aconteceu durante o período em que ocupou cargo de assessor do atual presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB).
Ontem, o presidente estadual do PTB, Alex Canziani, e o presidente do diretório municipal do PMDB, Luiz Eduardo Cheida, condicionaram claramente a permanência de seus vereadores no grupo dos 12 à alteração da cabeça de chapa. Levantamento realizado pela FOLHA indica que a composição, que sofreu um bombardeio político nos últimos dias, ainda mantém nove votos, seis vereadores manifestaram apoio ao bloco PT/PSDB, três se disseram indefinidos e um não foi localizado.
''O nome que mais agrega correntes é o do Padre Roque'', disse Canziani no final da tarde. ''Acredito que ele contemplaria melhor as necessidades nesse momento por que passa a cidade.''
O representante peemedebista, Luiz Eduardo Cheida, confirmou que a tendência é de manter o grupo dos 12 ''mudando a cabeça de chapa''.''O nome ventilado é o do Padre Roque'', disse. Para ele, dificilmente haverá consenso em torno de candidatos que representem o PP, PDT e PSDB, partidos ligados aos nomes dos principais envolvidos na disputa pela prefeitura: Antonio Belinati, Barbosa Neto e Luiz Carlos Hauly. Na avaliação de Cheida, se houver resistência para a troca de Sandra Graça por outro vereador, o PTB e o PMDB podem articular uma nova chapa.
O vereador Padre Roque disse ontem que as especulações sobre seu nome ainda são meras ''conjecturas'', mas confirmou que, se for indicado, vai entrar na disputa. ''Se meu partido achar que o caminho é esse, vou estar com o partido.'' Se for eleito presidente da Câmara, o vereador eleito chegaria a seu primeiro cargo público já como prefeito interino.
''Eu tenho me preparado para ser vereador, mas se isso acontecer, tenho estudado e lido muito, ouvido muita gente, e creio que não vai ser difícil administrar a cidade, junto com o nosso grupo'', afirmou. No período em que prestou assessoria para Sidney de Souza, o futuro parlamentar afirmou que fazia atendimento ao público. ''Visitava as famílias, mexia com correspondência, requerimentos, corte de árvores; essas coisas comuns na Câmara.''
Apesar de ter assinado o documento que formalizou o grupo dos 12 em torno do nome de Sandra Graça, o pedetista Joel Garcia disse ontem ser ''independente''. ''Não era para ser divulgado aquele documento. Tínhamos conversado que poderia haver mudanças partidárias e resolveram divulgar. Não concordei. Até aquele dia era a melhor composição mas já houve mudanças e sou independente'', declarou Garcia. Segundo ele, o seu voto depende das composições. Garcia ainda não descartou a possibilidade de pleitear a cabeça-de-chapa. ''Todo mundo quer o PDT para votar, não para ser votado porque temos uma campanha para prefeito em andamento. Acho que os 19 (vereadores) são candidatos. Quem falar que não é está mentindo. Dia primeiro depois da posse, Deus nos ajude!'', concluiu.
Segundo Eloir Valença (PT), os três integrantes da bancada devem votar juntos no nome que ainda deverá ser definido no grupo encabeçado pelo PT/PSDB. ''Estamos analisando, construindo se há uma via, um nome que represente uma certa neutralidade. O que o PT fechar em torno de um nome estaremos sendo leais'', declarou Valença. ''Estou com o PT, avaliando sitematicamente. Vamos com a bancada do partido. A decisão é só dia primeiro'', desconversou Lenir de Assis (PT).
Já Roberto Kanashiro (PSDB) recuou da idéia de abandonar a disputa pela Presidência da Casa. ''Eu vou votar em mim. Coloquei para os demais que as negociações tinham saído da minha esfera, está em outros níveis de entendimento e que, se nesse entendimento o empecilho fosse eu, não atrapalharia. Mas, mantenho a minha candidatura.''
O vereador Roberto da Farmácia (PTC) resumiu o espírito do grupo que não abre mão do apoio a Sandra Graça - ou outro nome indicado pelo grupo dos 12. ''É uma questão de postura e hombridade. Não gostaria que o eleitor achasse que o Roberto não tem palavra'', disse - referência ao documento assinado pelos integrantes da coalizão. (Colaborou Cristiane Oya)

Grupo dos 12
Padre Roque (PTB)
Sandra Graça (PP)
Marcelo Belinati (PP)
Sebastião dos Metalúrgicos (PDT)
Ivo de Bassi (PTN)
Rony dos Santos Alves (PTB)
Roberto Fu (PDT)
Pastor Renato Lemes (PRB)
Roberto da Farmácia (PTC)
PT/PSDB
Gérson Araújo (PSDB)
Paulo Arildo (PSDB)
Eloir Valença (PT)
Lenir de Assis (PT)
Roberto Kanashiro (PSDB)
Jacks Dias (PT)
Indefinidos
Tito Valle (PMDB)
Joel garcia (PDT)
Jairo Tamura (PSB)
Não localizado
Rodrigo Gouvea (PRP)

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