Único representante do Paraná na CPI do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, o deputado federal Roque Zimmermann, o padre Roque (PT), reagiu com surpresa, indignação e receio em relação ao atentado. ‘‘É simplesmente inaceitável’’, disse o deputado, que ficou sabendo do incêndio pela Folha.
O parlamentar, que viajou praticamente a manhã toda de Brasília para Ponta Grossa, disse à tarde, por telefone, que sentiu um ‘‘arrepio’’ ao ser informado da notícia. ‘‘Quer dizer que as ameaças de morte que estão sendo feitas para nós têm fundamento’’, indignou-se.
Padre Roque contou que há duas semanas recebeu, numa mesma noite, quatro telefonemas em sua casa, em Ponta Grossa, com ameaças de morte. Houve nova ameaça na casa do deputado, em Brasília. Ele disse que não chegou a pedir proteção policial por achar que se tratava de blefe. ‘‘Mas agora com o incêndio na PIC eu tremi nas bases’’, afirmou.
O deputado pretendia ainda ontem comunicar o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), sobre o incêndio e cobrou ‘‘mobilização social’’ para apuração do fato pela Polícia.
Em relação aos documentos queimados, ele disse que muitos deles, chamados documentos-fontes, foram repassados à PIC pela CPI do Narcotráfico e não existem mais. Outros ainda poderão ser resgatados.
A CPI Estadual do Narcotráfico, por meio de seu presidente Algaci Túlio (PTB), divulgou nota ontem manifestando solidariedade aos promotores de Curitiba e de todo o Estado. Informa ainda que todos os documentos reunidos pela comissão no Paraná ‘‘estão a salvo em lugar seguro, portanto estando resguardadas todas as informações coletadas durante a investigações efetuadas, que embasarão o relatório conclusivo que em breve será divulgado.’’
A nota, de quatro itens, ressalta a parceria entre a PIC e a CPI, além de demonstrar confiança no governo em relação às investigações. Conclui que o atentado criminoso ‘‘a ninguém amedronta e somente serviu para fortalecer ainda mais o Ministério Público...’’

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