Padre Roque deixa PT longe do consenso
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sábado, 16 de fevereiro de 2002
Marta MedeirosEquipe da Folha 
Maringá - O deputado federal Padre Roque (PT) disse ontem que não vai abrir mão da candidatura ao governo do Estado e deixa o partido longe de um consenso para a prévia marcada no final deste mês. A presença de Padre Roque bate com a disposição do ex-deputado federal Paulo Bernardo, atual secretário municipal de Fazenda de Londrina, de também disputar a prévia com o apoio da ala liderada pelo prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, e do presidente da executiva estadual do partido, André Vargas.
Com este quadro, os filiados terão que se decidir entre Roque, Bernardo e a professora Milena Martinez, que desde o início deixou claro sua permanência na disputa. As discussões em torno dos pré-candidatos começaram ontem em Maringá, depois de uma reunião da executiva estadual. Os líderes programaram reuniões entre as diversas alas petistas para as tardes de sábado e durante o domingo.
Padre Roque disse que só abriu mão da sua pré-candidatura em favor do deputado estadual Ângelo Vanhoni e que agora não vê sentido em deixar a disputa para apoiar Paulo Bernardo. A candidatura do Bernardo só pode ser uma brincadeira do Nedson e do André, alfinetou Padre Roque. Ele (Paulo Bernardo) não tem histórico político nem expressão no Paraná para ser candidato ao governo do Estado.
Conforme Padre Roque, é quase certo que ele receba o apoio do deputado estadual Irineu Colombo, que também se posicionou como pré-candidato. Agora estou pronto para enfrentar todas as onças, disse o deputado federal. Padre Roque disse ainda que espera que a ala que apóia Paulo Bernardo tenha a grandeza pelo consenso em torno do seu nome e a favor do partido e da população do Paraná. Do Nedson eu espero isso: grandeza e menos mesquinharia.
Segundo Paulo Bernardo, o partido teve a obrigação de oferecer mais uma alternativa depois da desistência de Vanhoni. Se não for possível o consenso em torno do meu nome, posso até apoiar Padre Roque, mas por enquanto tenho o agrupamento Unidade na Luta (formada, entre outros, por Nedson e André Vargas) a meu favor, afirmou Bernardo.
Para o presidente da executiva estadual, André Vargas, a disposição dos pré-candidatos mostra a vitalidade do PT no Paraná. Ele lembra que a primeira alternativa foi em torno de Vanhoni, mas por causa da desistência o partido precisou buscar outras alternativas. Estou com Paulo Bernardo seguindo o nosso agrupamento, mas vamos buscar um diálogo com Padre Roque para ver o que acontece neste final de semana, disse Vargas.
Segundo Vargas, a única certeza é a de que os petistas não vão abrir mão de candidatura própria na disputa ao governo do Estado. Temos as principais prefeituras do Estado e vamos mostrar nosso trabalho para a população, disse. Vargas afirmou também que é possível um diálogo com o senador Roberto Requião, mas sem a desistência da candidatura petista. Requião é oposição e podemos recebê-lo para uma vaga ao Senado ou como vice do governo do PT. Não mais que isso.


