Padre Roque critica obras sem necessidade
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segunda-feira, 14 de julho de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A soma das verbas previstas em convênios firmados entre os municípios e o Estado durante o governo Jaime Lerner (PFL) na área de Trabalho, Emprego e Promoção Social equivale a praticamente todo o orçamento da pasta para este ano. A constatação é do secretário estadual Padre Roque Zimmermann, que ontem fez uma exposição da situação da secretaria para os membros do primeiro escalão do governo estadual.
De acordo com Padre Roque, a Secretaria de Trabalho, Emprego e Promoção Social herdou uma dívida de R$ 12 milhões relativa a 850 convênios firmados com os municípios. O número de convênios original era de 1,2 mil, mas segundo o secretário 350 foram cancelados porque apresentavam inconsistências. ''Muitos foram assinados nos últimos dias do mandato, para obras sem necessidade'', disse Padre Roque.
Apenas os restos a pagar decorrentes dos convênios equivale à previsão de verbas que a pasta deve dispor em 2003. ''Os gastos com o programa de distribuição de leite devem chegar a R$ 10 milhões, que são os gastos mais vultuosos. Os números ainda não estão fechados, mas devemos ter um total de R$ 12 ou 13 milhões para utilizarmos'', acredita o secretário.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná, prefeito de Barracão Joarez Henrichs (PFL), afirmou que nos próximos dias a entidade deve se manifestar a respeito dos convênios na área. ''Recebemos na semana passada um relatório sobre os convênios cancelados. Vamos estudá-los para podermos nos reunir com o governo. Nossa intenção é saber em que pé estão as coisas: os convênios que restaram serão pagos quando? Teremos novos convênios? Mas isso ainda depende da análise dos dados'', explicou Henrichs.
Apesar do orçamento apertado, Padre Roque afirma que o objetivo da exposição da situação da pasta aos outros secretários estaduais não teve o objetivo de conseguir mais recursos para a pasta. ''Acreditamos que precisamos de mais recursos para o trabalho e a promoção social, mas estamos lidando com isso com as emendas à Lei das Diretrizes Orçamentárias. O objetivo é mostrar o que está dando certo e afinar o discurso com as outras secretarias'', explicou.
O secretário destacou a inclusão de desempregados no mercado de trabalho como um dos projetos da área que têm dado certo. ''Pretendemos inserir cerca de 125 mil pessoas no mercado de trabalho até o final do ano, e já atingimos 59.345, ou seja, 48% da meta anual. O combate ao desemprego é uma das maneiras de diminuirmos a miséria, especialmente a que atinge os grandes centros do Estado, como Curitiba, Ponta Grossa e Londrina'', afirmou.


