Padre Roque assume Prefeitura de Londrina com promessa de cortes
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sábado, 03 de janeiro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Em meio a discursos pela governabilidade, o prefeito interino de Londrina, José Roque Neto (PTB) - ou Padre Roque -, assumiu ontem o Executivo municipal com a promessa de aglutinação de secretarias, redução no número de comissionados e não-realização de novos contratos de fornecimento de bens e serviços enquanto durar o mandato-tampão, o qual, pela lei eleitoral, pode durar no máximo dois anos. Pela previsão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, contudo, o petebista pode ficar menos tempo na vaga deixada ontem pelo petista Nedson Micheleti: em entrevista à FOLHA, mês passado, o presidente do Tribunal, desembargador Jesus Sarrão, informou que o novo segundo turno pode ser realizado em março.
Assim como a eleição para a Mesa, cujo resultado só foi conhecido ontem de madrugada após quase sete horas de negociação, a cerimônia de posse foi marcada pela presença de caciques partidários no estado - pelo PMDB, o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida; pelo PTB, o deputado federal Alex Canziani; pelo PSDB, o deputado federal Luiz Carlos Hauly - no gabinete do prefeito, lotado, em boa parte, por ex-comissionados de Nedson.
O prefeito interino firmou o compromisso estabelecido na véspera, com as lideranças partidárias e com os nove vereadores que o apoiaram, de ''assegurar a governabilidade'', por meio de servidores de carreira em setores como autarquia, por exemplo. Entre comissionados, Roque se comprometeu a desiginar ''um pequeno grupo de secretários e assessores'', para a transição, com nomes que vão advir de reuniões ontem, hoje e amanhã. A equipe de transição deve ser anunciada na próxima segunda-feira.
Questionado se o apoio de PT, PSDB, PSB e PMDB à candidatura do PTB vai influenciar a escolha dos nomes, o prefeito admitiu: ''Sim, a coalizão vai pesar, vamos conversar com os partidos - afinal, não fui eleito sozinho''. Por outro lado, o petebista afirmou que, caso o mandato-tampão se arraste por mais de três meses, ainda que prometa isenção no processo eleitoral, adotará um procedimento administrativo complementar: ''Posso chamar os dois maiores interessados que estão nessa campanha (Hauly e Barbosa Neto, do PDT) e dialogar no sentido de ver que projetos eles tinham para Londrina e que podem ser viáveis. Meu projeto é ser legislador; quem fez todo um estudo que não pode ser jogado fora foram eles''.
A respeito do enxugamento no número de secretários, Roque citou apenas os casos de três pastas: secretarias da Mulher, Idoso e Assistência Social, que serão comandadas por uma única pessoa. ''São 16 pastas que podem virar oito'', defendeu o petebista, segundo qual servidores de carreira poderão ser aproveitados. E empresas, como Sercomtel? ''Essa empresa é o coração da cidade; na conversa dos partidos, não falamos nada em relação a cargos nela. Vamos ver com a coalizão agora como isso fica, e até com o vereador Ivo de Bassi (PTN), que é servidor na telefônica há 26 anos e conhece bem o quadro.''
Nedson minimizou os efeitos da pretendida aglutinação de secretarias. ''Na verdade, o que ele não vai fazer é nomear vários secretários para não criar um melindre a quem entrar daqui a dois ou três meses - nomeando apenas nas pastas-chave, não gera atrito depois'', asseverou. Quanto às empresas de capital misto, o petista lembrou que a composição vai depender também das assembléias de acionistas que acontecem semana que vem: segunda-feira na Companhia de Habitação (Cohab) e na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), e, dia 9, na Sercomtel.


