Padre Roque apela contra impugnações
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de outubro de 2001
Dimitri do Valle<br> e Lino Ramos<br> De Curitiba e<br> de Londrina 
O deputado federal Padre Roque Zimmermann recorreu ontem ao diretório estadual do PT para tentar derrubar a impugnação dos 509 votos em 11 municípios que poderiam lhe dar a vitória à presidência do partido no Paraná. Pela contagem oficial, o vereador londrinense André Vargas fez 4.009 votos contra 3.786 de Padre Roque. Até às 19h30 de ontem, a executiva estadual do partido continuava reunida a portas fechadas em Curitiba para tomar uma decisão sobre o recurso que pede a validade dos votos.
Padre Roque disse que não vai desistir de assumir a chefia da legenda. ''Acho que vou assumir o comando. Não tem outra solução'', afirmou. O deputado contou que pretende apelar à executiva e ao diretório nacionais do partido, caso seu recurso seja rejeitado pela cúpula petista paranaense. Em tom de ameaça, disse que se não houver ''bom senso'' em reconsiderar os votos, vai revelar as ''fraudes'' registradas durante a votação.
''Se o André Vargas tivesse vencido nas urnas, eu aceitaria tranquilamente a vitória dele, apesar de haver irregularidades em urnas onde ele foi amplamente majoritário'', declarou Padre Roque, sem dar detalhes sobre as formas e os golpes que diz terem acontecido durante a votação. O deputado disse que pretendia encontrar uma solução interna para o impasse, sem expor o partido publicamente, mas ninguém o atendeu. ''Quando vi que passaram o trator por cima, resolvi colocar os canhões na praça'', disse, referindo-se às impugnações dos 509 votos.
Padre Roque relatou que pediu a intervenção pessoal do deputado federal paulista José Dirceu, presidente nacional do PT, mas não obteve sucesso. Segundo ele, o próprio Dirceu, que foi apoiado no Paraná por André Vargas, recomendou a apresentação do recurso para buscar a validade dos votos impugnados. O deputado pretende organizar nos próximos dias uma assembléia com o grupo que o apóia ''para discutir o que fazer daqui pra frente''.
André Vargas evitou polemizar com Padre Roque e acredita que a crise poderá ser superada internamente, sem recursos na Justiça. ''É preciso ter mais calma neste momento. Após a disputa estaremos juntos no partido. Eu só lamento, acho que a imprensa não é o caminho para discutir questões que ainda estão sendo debatidas dentro do partido.''
Para o secretário de Fazenda de Londrina, Paulo Bernardo, a briga política dentro do PT pode ser considerada normal. ''Mas recorrer à Justiça me parece desproposital'', avaliou. Segundo ele, a executiva estadual do partido está analisando o resultado das eleições, mas prevalecerá o que a direção do partido decidir.
Para obter a impugnação das urnas nos municípios onde havia maioria de votos para Padre Roque, os fiscais de André Vargas alegaram diversas irregularidades. Em alguns casos, os fiscais denunciaram que a votação teria ocorrido no sábado, sendo que a eleição foi realizada no domingo. Simpatizantes do deputado federal também teriam usado urnas itinerantes, o que é proibido pelo regimento da eleição petista.
Já o grupo de Padre Roque garante ter fotos mostrando que, em Ponta Grossa, dois carros com identificação da prefeitura transportaram simpatizantes do grupo de André Vargas. O prefeito de Ponta Grossa, Péricles Mello, teria apoiado a campanha do vereador londrinense.


