Padre Roque admite romper e rever contratos
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A primeira reunião de secretariado do prefeito interino de Londrina, Padre Roque (PTB), começou ontem de manhã no gabinete com a leitura do Salmo 23, a oração do Pai Nosso e um cântico religioso entoado e dedilhado ao violão pelo próprio chefe do Executivo. Horas depois, o tom do encontro seria outro: em entrevista à FOLHA, e pouco antes de seguir para Curitiba - onde participa hoje de manhã da ''Escolinha de Governo'' do governador Roberto Requião (PMDB) -, Roque admitiu que a Controladoria e a Procuradoria Jurídica do Município analisam a possibilidade de revisão e até de rompimento de contratos com terceirizadas firmados na administração do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT).
De acordo com o prefeito, um dos contratos que devem ser revistos, com a possibilidade de municipalização do serviço, é justamente um dos mais altos da administração direta: o da produção e fornecimento de merenda. Desde outubro de 2006, ele é executado pela empresa SP Alimentos ao custo anual de R$ 10,4 milhões. Vencido em 2008, o contrato firmado pelo então secretário de Gestão, o agora vereador Jacks Dias (PT), foi prorrogado na gestão passada até setembro. Em 2007, o contrato foi alvo de investigação por parte do Ministério Público (MP) em Londrina e até de auditoria externa do Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) - à época, o relatório de técnicos do TC apontou, dentre outras irregularidades, que as merendeiras do quadro efetivo estavam em desvio de função desde que o serviço fora delegado à SP.
''Esse contrato vai até setembro, mas se percebermos que a licitação e o contrato não estão a contento, e o nosso jurídico demonstrar que podemos fazer o rompimento, não vejo dificuldades em agir'', disse o prefeito, para completar: ''Até porque, temos as cozinhas e um quadro de 190 merendeiras que pertencem ao Município'', frisou.
Roque lembrou que, na quinta-feira, cada Pasta vai apresentar ''suas dificuldades e então vamos nos sentar com a Controladoria e rever algumas coisas'', afirmou, evitando o uso do termo ''auditoria''.
Segundo o secretário municipal de Governo, Tercílio Turini, outro contrato que deve ser revisto é o do transporte escolar. ''Esse é um contrato que vence no final de junho, realizado pela Gestão Pública a pedido da Educação. Pedimos à Procuradoria que se faça um estudo a fim de que esse contrato volte nos moldes anteriores. Pelo atual, é licitado um lote único e a empresa vencedora pode sublocar até 50% do serviço, o que sairia mais caro'', analisou Turini.
O prefeito adiantou que outra proposta que é aguardada da equipe de governo para o encontro de quinta-feira são as respostas a situações constatadas pela equipe de transição, já na primeira semana de mandato. ''Na Obras, por exemplo, há carros e tratores sem funcionamento, queremos saber o porquê e o que será feito; na CMTU, uma única pessoa cuidava de todos os contratos terceirizados. Pedi ao Paulo (Mattiuz, presidente da companhia) para organizar menos contratos para algumas pessoas, e para saírem a campo e ver se a fiscalização está funcionando'', explicou. ''A partir daí, serão seis, sete equipes com o lema 'Consertando Londrina' para tratar desde placas caídas a desentupimento de bueiros'', elencou.
Ao final, pediu à reportagem que anotasse uma ressalva: o ser humano ''é passível de erro''. ''Não sou político viciado, tenho muito o que aprender com o povo e com os políticos experientes, até para perceber seus erros e não cometê-los'', encerrou.


