O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Assis Damasceno, voltou a defender em Curitiba a incompatibilidade da carreira eclesiástica com a política partidária. Ele participou ontem da inauguração da nova sede regional da CNBB. A questão deve ser discutida caso a caso com os bispos diocesanos e os 20 padres pré-candidatos do Paraná.
Para Dom Raymundo, essa não é uma decisão nova. Ele lembrou que desde o Concílio Vaticano II a Igreja tem documentos de conferências episcopais reafirmando a posição de não misturar política partidária com o clero. A posição também foi confirmada na Campanha da Fraternidade de 1995, que teve como tema a política. O Concílio Vaticano II, realizado entre 1963 e 1965, abordou as vinculações entre os diversos ramos da fé e suas relações com a sociedade e com as instituições não-cristãs.
O secretário geral da CNBB disse que a Igreja deve incentivar a maior participação entre os leigos católicos, para que se filiem, se candidatem e ocupem cargos públicos. ‘‘Eles não podem se omitir e têm de ajudar a construir uma sociedade melhor’’, enfatizou. Mas o exercício sacerdotal, segundo ele, não é condizente com a política partidária.‘‘Os padres devem ser instrumentos de comunhão e não de divisão, adesão a uma ideologia. Não é esta a missão do clero’’, disse. A CNBB está recomendando que haja uma negociação nos casos especiais e que seja reforçada a orientação do Vaticano.
O sub-secretário regional da CNBB, padre Carlos Alberto Chiquim, disse que os 20 padres interessados em disputar as próximas eleições foram orientados a procurar o bispo de sua diocese. Os que se candidatarem não poderão fazer uso de ordens, o que significa deixar de ser pároco, celebrar missa e administrar sacramentos. ‘‘Eles não vão ser expulsos, mas suspensos temporariamente, enquanto disputem eleições ou ocupem cargos públicos.

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