‘‘O gabinete para mim é o purgatório e a Igreja o paraíso’’. Esta é a confissão do Padre Luizinho, depois de três anos e meio como prefeito de Ivaiporã. Considerado a grande sensação das eleições de 96, quando obteve 50% dos votos válidos, assumiu o cargo muito animado, ajudou muito a população carente, realizou obras que considera importantes para a cidade, mas agora desfia um rosário de decepções acumuladas por uma ‘‘experiência bastante sofrida’’ como mandatário do importante município do Vale do Ivaí. ‘‘No primeiro ano, eu tinha até vergonha de sair na rua, de tantas cobranças. Nunca rezei tanto na minha vida. Foi um sofrimento, uma coroa de espinhos’’, compara. Por isso, Padre Luizinho, que é do PSC, não concorre à reeleição.
Ao chegar em Ivaiporã, em 1993, ele não imaginava que fosse se transformar no candidato preferido da população, três anos depois. Ele ingressou no Partido Social Liberal (PSL), fez campanha utilizando como mote um versículo da Bíblia (‘‘Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância’’), mas nunca abandonou o sacerdócio. Até hoje se diz que PSL significa ‘‘Partido Só do Luizinho’’, tal a força que o padre tirou das urnas.
A decepção dele é com a corrupção. Como um estranho no submundo da política, Padre Luizinho se diz chocado com o que viu e soube, e admite que nem a sua prefeitura escapa das propostas indecentes. ‘‘Em qualquer compra que a prefeitura vai fazer, aparece alguém oferecendo 10% de comissão, não pessoalmente para mim, porque me respeitam como padre, mas é um absurdo’’, condena.
Ele diz que é muito difícil um político tradicional escapar das cadeias da corrupção que rondam os gabinetes. ‘‘Só fica de fora disso quem tem uma formação sólida, muita fé em Deus e uma família equilibrada’’.
Ele garante que ficou mais pobre, mesmo tendo trocado o salário de padre (3 salários mínimos) pelo de prefeito (R$ 5,4 mil líquidos). ‘‘Só um milagre de Deus para eu saldar meus compromissos no banco’’, confessa.

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