A Câmara de Mariluz (35 quilômetros de Umuarama) pode cassar o mandato do prefeito e padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB) antes que ele reassuma o cargo. A Comissão Processante (CPI) entrega na segunda-feira o relatório pedindo a cassação de padre Adelino, que está preso e sendo investigado sob a acusação de ter mandado matar seu vice-prefeito Aires Domingues e o presidente do PPS de Mariluz, Carlos Alberto de Carvalho. Adelino está preso no BPM do Presídio do Ahú, em Curitiba, e pediu transferência para o 7º BPM de Cruzeiro do Oeste (40 quilômetros de Mariluz), e pretende administrar o município da cadeia. Adelino pode ser removido hoje.
Segundo o advogado da Câmara, José Pento Neto, a sessão de julgamento deve acontecer na quinta ou na sexta-feira da próxima semana. A votação será aberta e para cassar Adelino serão necessários, no mínimo, 6 votos dos nove vereadores. Nomeado pela CP, o advogado Altair Negrelo fará a defesa do padre.
Além do processo por falta de decoro, a Câmara vai criar outra comissão para investigar denúncias de irregularidades que Adelino teria cometido nos três meses de gestão. O conteúdo das denúncias não foi divulgado. Se houver cassação, o TRE convocará nova eleição. O presidente da Câmara, Benedito Costa (PPB) assumiu o cargo no dia 26 de março.
Segundo Pento, para reassumir como pretende, Adelino teria de ficar preso em Mariluz porque a lei não permite que o prefeito se ausente por mais de 8 dias sem autorização. ‘‘Poderia ser cassado por isso também’’, disse o advogado. Outro entrave, de acordo com ele, é o afastamento de 60 dias que Adelino obteve da Câmara. Para reassumir, ele tem de pedir a revogação da licença, que só expira daqui a 30 dias.
As autoridades policiais da região não querem receber o preso, temendo manifestações manifestações, porque o crime revoltou a população de Mariluz. O sub-comandante do 7º BPM, Nazarinio Antunes, enviou ofício ao juiz de Cruzeiro informando não ter acomodações para o prefeito e pedindo indicação de outro lugar. O delegado-chefe de Umuarama, Marcolino Aparecido da Costa, também comunicou ao Departamento de Polícia do Interior que não há vaga, nem local adequado para Adelino na delegacia. ‘‘Estamos com 90 presos e não temos como montar um gabinete aqui para ele despachar’’, disse Costa.

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