O ex-prefeito de Ivaiporã, padre Luis Pereira (PFL), conhecido por padre Luisinho (foto), procurou ontem a Folha para contestar as acusações de que teria desviado dinheiro de ações trabalhistas contra a prefeitura, lesando servidores municipais. A denúncia foi feita a partir de uma auditoria nas contas da administração do padre Luisinho. Ele alegou que as acusações ‘‘são retaliações à conduta de um vereador’’ que seria do seu grupo político e que está fazendo oposição ao atual prefeito, Pedro Wilson Papim (PTB).
Padre Luisinho disse não ter conhecimento de que cheques destinados ao pagamento de indenizações das ações trabalhistas tenham sido depositados em sua conta particular, na agência do Banestado de Ivaiporã. Resultados preliminares da investigação contábil na administração indicaram que havia um suposto esquema de compra de ações trabalhistas, dirigido pelo ex-prefeito e seu assessor jurídico da época, Melvis Michiuti, que foi prefeito de Ivaiporã (93/97) e perdeu a disputa da prefeitura na eleição do ano passado.
De acordo com a denúncia, eram pagos valores irrisórios para que os reclamantes renunciassem aos direitos das ações. Depois, de posse de uma procuração em nome de um ‘‘laranja’’, a prefeitura pagava indenizações com valores acima de R$ 30 mil.
O ex-prefeito, que estava ontem em Curitiba, disse que o município tem a pagar cerca de 300 ações trabalhistas, geradas na administração do ex-prefeito Antônio da Paz (89/92). ‘‘Seria impossível para o Município pagar toda essa dívida de uma só vez’’, afirmou padre Luisinho, admitindo que, apesar das dificuldades, conseguiu saldar R$ 1,5 milhão de indenizações durante a sua gestão.
Ele alegou que desde o mandato de Antônio da Paz, servidores que tinham direitos trabalhistas a receber procuravam contribuintes com impostos a pagar, visando negociar o recebimento através de compensações. Ele disse que, em algumas situações emergenciais, como problemas de saúde, deu preferência para pagamentos de ações a estes funcionários. ‘‘Durante meu mandato a prefeitura não pagou nada mais do que era devido aos reclamantes. Se alguma pessoa que não era funcionário recebeu indenização, é porque tinha procuração para isso’’, declarou padre Luisinho. ‘‘Nunca procurei servidores ou laranjas para negociar ações trabalhistas’’ - defendeu-se.
Quanto a cheques nominais rastreados e que, segundo a auditoria, foram depositados na sua conta particular, o ex-prefeito alegou desconhecer e disse apenas que o gerente do banco sempre fazia questão que ele endossasse os cheques destinados a pagamento de ações trabalhistas. Padre Luisinho negou que tivesse sumido de Ivaiporã depois de concluir o mandato. ‘‘Isso não é verdade, porque estive por diversas vezes na cidade, inclusive para assinar documentos na prefeitura’’, contestou.
O ex-prefeito admitiu ter deixado algumas dívidas particulares com alguns amigos, mas discordou que tenha emprestado dinheiro para pagar dívidas de jogo. ‘‘Faz 25 anos que não coloco a mão em baralho e desafio quem quer que seja a provar o contrário.’’ As dívidas que deixou em Ivaiporã, conforme explicou, são relativas a dinheiro que gastou ‘‘para ajudar pessoas com despesas hospitalares, compra de remédios e pagamento de faculdades’’.
O padre informou que realmente estava planejando trabalhar nos Estados Unidos, para poder pagar suas dívidas. ‘‘Não quero dar prejuízo para ninguém, mas não vou mais precisar ir para os Estados Unidos porque estou arrumando um bom emprego por aqui. Assim poderei saldar meus compromissos particulares’’, disse. Quanto à sua situação na igreja, padre Luis Pereira afirmou que ainda continua sem paróquia. ‘‘Aos domingos sempre tenho rezado missas na região’’, disse, acrescentando que pretende continuar como padre trabalhando de segunda à sexta-feira.

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