Agência Folha
De Brasília
O arcebispo de Porto Velho (RO), D. Moacir Greech, disse ontem em depoimento na CPI do Narcotráfico que o deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC) facilitou a fuga de Darly Alves da Silva e de seu filho Darcy do presídio de Rio Branco (AC). Darly e Darci foram condenados, respectivamente, como mandante e assassino do líder seringueiro Chico Mendes, morto em dezembro de 1988. Greech disse ter recebido a informação de pessoas de sua ‘‘absoluta confiança’’ e forneceu os nomes dessas pessoas à CPI, que vai ouvi-las.
Segundo o padre, na época da fuga, Pascoal já exercia influência na direção do presídio. Um primo de Pascoal, Aureliano, chegou a dirigir o presídio e, segundo outros depoimentos à CPI, liberava os detentos a mando de Pascoal. A CPI quer saber se Aureliano Pascoal exercia algum cargo no presídio na época da fuga.
O deputado Hildebrando Pascoal foi procurado em seu gabinete. Assessores informaram que ele não responderia as denúncias. Pascoal é acusado de liderar uma espécie de esquadrão da morte no Acre e de narcotráfico. O PFL decidiu expulsar o deputado e a Corregedoria da Câmara abriu processo de cassação do seu mandato. Greech disse que a população do Acre, onde trabalhou durante 26 anos, ‘‘é refém de Hildebrando e de seus colaboradores’’. ‘‘Pessoas transtornadas iam à minha casa pedir ajuda para fugir. Criou-se o mito de que o deputado pode encontrar qualquer pessoa em qualquer canto do Brasil’’, afirmou.
O padre listou vários assassinatos dos quais Pascoal é acusado. Ele disse que, certa vez, o deputado afirmou na frente das principais autoridades do Estado, inclusive do comandante da PM, que mataria o assassino de seu irmão Itamar e ‘‘quem tentasse impedir’’. ‘‘Foi então que assistimos àquele espetáculo. O acompanhante do assassino Hugo teve um braço e duas pernas cortadas com motosserra, um prego cravado na cabeça e só depois veio o tiro. Ele estava vivo enquanto era cortado’’, disse.

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