Cerca de trezentas pessoas participaram ontem à tarde, na Igreja de Arapuã - 170 km ao sul de Apucarana -, de uma manifestação de solidariedade ao padre Eugênio Cereja, que afirma ter sido vítima de dois atentados. O padre interpreta as tentativas de homicídio como reação às críticas e denúncias que têm feito em relação ao assassinato do prefeito Hélio Mathias, morto em abril de 97, quando saía de uma agência de automóveis em Arapongas.
Mathias, que era o primeiro prefeito do ex-distrito de Ivaiporã, foi morto por dois pistoleiros que a polícia acredita sejam da Bahia, supostamente contratados para executarem o crime. O inquérito policial foi concluído com a identificação dos assassinos. A polícia chegou a distribuir o retrato falado dos criminosos, mas passados 10 meses ainda não conseguiu prendê-los.
Nas missas celebradas em intenção de Hélio Mathias, sempre com a presença de grande número de fiéis, o padre de Arapuã tem criticado a impunidade dos assassinos e dos mandantes, e também cobrado mais empenho da polícia no caso. O pároco garante que os mandantes do crime continuam tranquilos em Arapuã.
Nas entrevistas concedidas ontem, Eugênio Cereja fez duras críticas a ‘‘certos políticos da cidade’’. Ele diz que para estas pessoas vale tudo para assumir o poder: ‘‘caluniar, ameaçar e até matar’’. As críticas têm sido interpretadas como acusações veladas a José Tarugueiro que, com a morte de Hélio Mathias, assumiu a prefeitura.
A Folha tentou ontem ouvir Tarugueiro a respeito das denúncias, mas ele não foi encontrado em sua residência nem na prefeitura.
Depois da missa rezada no dia 17 de fevereiro, pelos 10 meses da morte de Mathias, o pároco de Arapuã sustenta que já tentaram matá-lo duas vezes. ‘‘A primeira tentativa aconteceu no dia seguinte à missa, quando fui perseguido por um veículo em estradas rurais do município, e só consegui escapar com a ajuda de um ministro de eucaristia, que com seu carro bloqueou a passagem das pessoas que pretendiam me alcançar’’, contou ontem o padre, em entrevista à Rádio Nova Era.
Em outro atentado, ocorrido na madrugada de sexta-feira, Eugênio Cereja diz que foi acordado com o barulho da quebra dos vidros de uma janela da casa paroquial. ‘‘Os agressores permaneceram por mais de uma hora em frente à casa, aguardando que eu aparecesse, provavelmente para me matar’’, lembra o padre, dizendo que teve muito medo.
No ato realizado ontem, os manifestantes também cobraram providências urgentes das autoridades da área de segurança pública para que seja reforçado o policiamento na cidade, ‘‘antes que aconteçam novos crimes’’. Alguns moradores de Arapuã suspeitam de pessoas desconhecidas que frequentemente são vistas nas imediações da prefeitura.
Emancipada há pouco mais de um ano, Arapuã ainda não dispõe de estrutura adequada na área de segurança. A delegacia não tem sequer telefone, e o policiamento é restrito a um policial civil, dois militares e uma viatura.

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