O padre Osvaldo Campos de Almeida, de Borrazópolis (84 km ao sul de Apucarana), disse estar indignado com as declarações do bispo diocesano de Campo Mourão, dom Virgílio de Pauli, que está recomendando aos fiéis que não votem em candidatos-padres. Dom Virgílio chegou a dizer a emissoras de rádio da cidade que torce para que o padre-candidato Adelino Gonçalves, de Mariluz, perca a eleição. O pároco tenta uma vaga na Assembléia Legislativa pelo PT.
‘‘Já que não é para votar em padre, que a população vote em corruptos, em ladrões’’, reagiu Almeida, que saiu em defesa de Adelino Gonçalves. ‘‘Ele não merece uma atitude dessas’’. Para ele, as declarações de dom Virgílio de Pauli demonstram que ‘‘estamos no final dos tempos’’. ‘‘Que a igreja então rasgue seus documentos, já que não se deve votar em gente honesta como os padres e sim em todos aqueles que não prestam. Parece que os honestos perderam o valor neste mundo’’, criticou.
O padre palotino de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Sílvio Andrei Rodrigues, disse não acreditar que o bispo de Campo Mourão tenha denegrido a imagem do pároco-candidato. ‘‘Acredito que ele tentou conscientizar sua diocese sobre o documento da CNBB do Paraná que veta a entrada de padres na disputa eleitoral’’. Ele acha que a função dos religiosos não é ingressar na política. ‘‘Nossa missão fundamental é treinar leigos íntegros e idôneos para a função’’, defendeu.
A CNBB do Paraná decidiu suspender das funções os padres que disputarem as eleições por considerar incompatível a carreira eclesiástica com a política. (P.Z)

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