Padre condenado por morte de vice-prefeito
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
Evandro Fadel<br>Agência Estado 
Curitiba - O Tribunal do Júri de Cruzeiro do Oeste, no noroeste do Paraná, condenou, na noite de quinta-feira, o padre e (ex-prefeito de Mariluz a 540 quilômetros de Curitiba), Adelino Gonçalves, a 18 anos e nove meses de reclusão. Ele é acusado de ser o mandante, em 2001, das mortes do então vice-prefeito Aires Domingues e do presidente do PPS local, Carlos Alberto de Carvalho. O padre deixou o tribunal algemado. A defesa já recorreu ao Tribunal de Justiça (TJ).
Pelas acusações, o padre, de 53 anos, eleito prefeito em 2000 pelo PMDB, teria se desentendido com o PPS, ao qual pertencia o vice, na divisão de cargos. Também consta que Carvalho estaria levantando informações sobre suposta prática de pedofilia pelo religioso. Temendo a divulgação, ele teria pedido a contratação do ex-policial militar José Lucas Gomes. O crime foi cometido no dia 28 de fevereiro de 2001. Domingues e Carvalho estavam na sede do diretório local quando foram atingidos por tiros. O vice-prefeito morreu na hora e Carvalho alguns dias depois, no hospital. Antes depôs à polícia e disse não ter dúvidas de que o padre era o responsável.
Gomes acabou preso e confessou o crime à polícia, citando os nomes de Gonçalves e do funcionário da prefeitura Élcio Faria como mandantes. De acordo com o advogado do padre, Miguel Nicolau Júnior, em juízo ele negou a participação do religioso. ''Reforça nossa tese de inocência'', disse o advogado.
Gomes acabou morrendo na prisão, em 2003, antes do julgamento, vítima de enfarte. Faria foi condenado, anteriormente, a dez anos de prisão. Outro acusado, Alexandro Nascimento, que seria amigo do padre e teria contratado Gomes, já foi absolvido.
No julgamento, Gonçalves afirmou ter sido vítima de uma ''tramoia política''. Ontem, seu advogado protocolou no TJ um pedido para realização de novo júri por acreditar que a decisão foi contrária aos autos. Ele também pediu habeas-corpus, alegando que a decisão da juíza Josiane Pavelski Fonseca ao determinar a prisão preventiva foi ''severa''. Segundo Nicolau Júnior, a própria juíza ressaltou que o padre compareceu às audiências preliminares e não causou nenhum embaraço no processo. ''Provavelmente o TJ vai mandar que aguarde em liberdade'', disse.
Ordenado padre em dezembro de 1992, Gonçalves está temporariamente afastado do ministério sacerdotal na Diocese de Campo Mourão. A secretária da diocese disse que o bispo dom Francisco Javier Delvalle Paredes deve analisar a situação somente depois da reunião da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que começa quarta-feira, dia 22. O religioso já ficou preso por cerca de seis meses, em 2001, e teve o mandato cassado.


