Padre-candidato paraibano defende uso de camisinha
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de julho de 2000
Agência Folha De São Paulo 
O padre Luiz Albuquerque Couto, 55, candidato do PT à Prefeitura de João Pessoa (PB), defende o uso da camisinha. Ele afirmou que, se for eleito, dará sequência a programas da Secretaria da Saúde de distribuição de preservativos, o que contraria a orientação do Vaticano, que é contra a sua utilização.
Deputado estadual em segundo mandato, Couto disse que a questão do uso da camisinha no combate à Aids deve ser tratada acima de convicções religiosas. Eu vejo a Aids como tema de saúde pública responsabilidade de todo prefeito. Seu combate deve ser feito independentemente da posição religiosa, declarou.
É uma opção individual usar ou não a camisinha. Eu não acho que, pensando assim, esteja contrariando as normas da Igreja Católica, que defende a vida, disse o padre, ao ser questionado se a sua forma de pensar não iria de encontro às orientações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Em nota divulgada há pouco menos de um mês, a CNBB condena o uso da camisinha, que favoreceria uma vida sexual desordenada.
Na minha opinião, a igreja deveria ter uma atitude de misericórdia para aqueles que não seguem os princípios religiosos e usam a camisinha. A opção deles tem de ser respeitada. A igreja é um instrumento de salvação, não de condenação, disse Couto.
Em São Paulo, opondo-se à postura da CNBB e do Vaticano, o padre Valeriano Paitone, pároco da igreja de Nossa Senhora de Fátima, recomenda o uso e distribui camisinhas para doentes e pobres.
O sacerdote administra três casas na zona norte paulistana que prestam assistência gratuita a 33 portadores do vírus HIV.
Polêmico, o padre concebeu e dirigiu um vídeo de 16 minutos, com recursos do Ministério da Saúde, em que demonstra com números que o uso da camisinha ajuda a reduzir a proliferação do HIV.
As ações e a forma de pensar de Paitone foram censuradas pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, d. Cláudio Hummes, o superior do sacerdote.
Em nota oficial, Hummes, que teve o apoio do cardeal Eugenio Sales, arcebispo do Rio de Janeiro, afirmou que Paitone poderá ser punido com providências administrativas e pastorais cabíveis.


