Padre Adelino diz que abandonará a política
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domingo, 09 de dezembro de 2001
De Mariluz 
Licenciado da Igreja e prestando serviços temporariamente no Colégio Santa Cruz, em Campo Mourão, padre Adelino Gonçalves afirmou que vai se afastar definitivamente da política e exercer apenas o sacerdócio. ''Depois da eleição em Mariluz, vou me desfiliar do PMDB e decidir com o meu bispo (Dom Mauro Aparecido dos Santos, da Diocese de Campo Mourão) qual paróquia assumirei'', disse à Folha.
Padre Adelino disse que acompanhará a eleição em Mariluz a distância. Mantém contatos com deputados e líderes do PMDB no Estado para apoiarem o candidato da sigla, Cido Pinheiro, mas garante não ter nenhum acordo político com ele. Adelino também desmente boatos de que terá poder de mando na prefeitura se Pinheiro for o prefeito. ''Ele não tem nenhum compromisso político comigo. Meu apoio se deve ao fato do plano de governo do Cido ser o mesmo da minha administração, o qual ele ajudou a elaborar na época'', afirmou.
Padre Adelino também está otimista com os rumos do processo criminal que responde no Fórum de Cruzeiro do Oeste. A principal testemunha contra ele, Cícero de Almeida Pedroso, de Corumbataí do Sul, voltou atrás e negou ter visto o padre naquela cidade dias antes do crime. Pedroso havia afirmado que vira o ex-policial militar José Lucas Gomes, autor confesso do duplo homicídio, conversando com o padre.
Adelino aguarda agora o depoimento de testemunhas de defesa que, segundo ele, podem inocentá-lo da acusação de ter mandado matar o vice-prefeito e o presidente do PPS. O padre alega ter sido vítima de uma armação.
Adelino ficou 120 dias preso em Curitiba. Foi liberado uma semana depois de os vereadores terem cassado o mandato dele sob a acusação de ter comprado pneus sem licitação nos dois meses que administrou a prefeitura. O motivo do duplo homicídio que chocou Mariluz seria um desentendimento entre o prefeito e o PPS na distribuição de cargos na prefeitura. O presidente do PPS teria se irritado com a nomeação de pessoas de fora para cargos de confiança e estaria levantando denúncias de assédio sexual contra Adelino. (V.M.)


