O prefeito de Prado Ferreira (53 km ao norte de Londrina), Aristides de Caires (PSDB), reeleito no dia 1º, está sendo acusado de ameaça de agressão física e injúria pelo padre da Igreja São João Batista, Freedy Antonio. A denúncia será encaminhada pela Arquidiocese de Londrina para o Ministério Público (MP) de Curitiba. Hoje, será rezada uma missa de desagravo em favor do padre e do seminarista Adão Dias.
Segundo padre Freedy, o prefeito teria ficado irritado com o apoio da paróquia local à candidatura da vereadora da oposição Ana Maria Cavalini (PPB), que é coordenadora de catequese. Além disso, Caires teria afirmado que estariam sendo distribuídos santinhos da candidata na própria igreja. A crise aumentou no dia 30, quando o seminarista, após a missa noturna, falou com os fiéis sobre uma cartilha de conscientização política elaborada pela Igreja.
No dia da eleição, o prefeito, o filho dele e outras quatro pessoas teriam ido até a casa paroquial e feito ameaças ao seminarista. ‘‘Inventaram que ele estava comprando votos para a vereadora’’, disse o padre, que também encaminhou o problema para o MP de Porecatu. A discussão teria sido acompanhada por um ‘‘fiscal’’ da eleição – na verdade, um oficial de Justiça.
Ontem, o prefeito confirmou que esteve na casa paroquial no dia da eleição, mas negou que tenha feito qualquer ameaça. Segundo ele, havia informações de que santinhos estavam sendo distribuídos no local. ‘‘Eu tenho um filho meio bravo que foi lá junto com um candidato a vereador. Como eu sei que podia engrossar, fui e tentei acalmar a situação.’’
O prefeito confirmou também que houve troca de xingamentos. ‘‘Mas foi dos dois lados. E quando chegou um oficial de Justiça eu fui embora. Porque quem pode falar se eles estavam comprando votos é o oficial.’’ Caires reclamou ainda que na missa de sábado o seminarista o teria acusado de distribuição de cestas básicas.
A promotora Sílvia Luiza Dariva, da comarca de Porecatu, disse ontem que de fato um oficial de Justiça esteve na igreja de Prado Ferreira no dia 30 para averiguar denúncia de boca de urna. Mas o problema não foi confirmado. Além disso, ela orientou o padre Freddy para que levasse o seminarista a Porecatu para formalizar a acusação. ‘‘O padre deveria tê-lo trazido ontem (anteontem) mas não veio. Dependeria dele (seminarista) o processamento de uma acusação.’’

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