O Ministro dos Transportes Eliseu Padilha tentou, ontem, desqualificar as acusações feitas pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) de desvios de recursos públicos no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Segundo o ministro, a Advocacia Geral da União (AGU) já vinha acompanhando o caso desde setembro do ano passado, quando ‘‘uma auditoria de rotina constatou indicadores’’ de que alguns pagamentos foram feitos sem o conhecimento da diretoria geral da autarquia no Paraná.
Padilha esteve ontem na região do Norte Pioneiro, vistoriando as obras de recuperação da Rodovia Transbasiliana (BR-153), no trecho de 60 quilômetros entre Santo Antônio da Platina e Ibaiti. Ele chegou de helicóptero acompanhado do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), do secretário estadual de Transportes, Nelson Justus, e foi recebido por prefeitos da região e pelo deputado federal Francisco Becker (PSDB-PR), o ‘‘Chico da Princesa’’.
‘‘O assunto está restrito à Procuradoria do DNER-PR e é matéria de investigação da AGU muito antes do senador falar no tema’’, afirmou o ministro. Segundo Padilha, ‘‘o que o senador quer quando fala do DNER é atingir o PMDB, pois viu que o partido passou a ser o parceiro preferencial do PSDB dentro do Governo’’, depois que o presidente rompeu com ACM.
De acordo com o ministro – que foi chamado por ACM de ‘‘Eliseu Quadrilha’’ –, o PMDB vem conquistando espaço junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso e, hoje, é um parceiro indispensável para o governo. Esse realinhamento político, na sua opinião, foi o que motivou o ataque do cacique baiano.
Padilha disse ainda não acreditar que os ataques de ACM ao governo interfiram nos planos de FHC de intensificar medidas sociais nos dois últimos anos de mandato. ‘‘Todos os projetos do governo serão implantados com ou sem a manifestação do senador Antonio Carlos. A manifestação dele é para chamar atenção sobre si próprio, para manter-se vivo na mídia e alimentar seu sonho de ser candidato a presidente ou indicar o nome (do futuro candidato)’’.
Sobre as articulações do partido na corrida pela presidência, o ministro ressaltou o nome do senador Pedro Simon (PMDB-RS) como o mais forte até o momento. ‘‘O senador se colocou à disposição e está percorrendo o País como pré-candidato’’, frisou. Padilha citou outras opções: o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, e o senador José Sarney (PMDB-MA).
O ministro, que vem sendo alvo de especulações sobre um eventual desligamento seu do Ministério dos Transportes, desconversou quando foi questionado sobre o assunto. ‘‘Quem fala em mudança (de ministro) é o presidente da República. Da nossa parte, no PMDB, temos uma cota dentro do governo, estamos feliz com ela e não nos interessa estar criando problemas para o presidente.’’

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