O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, propôs ontem um pacto entre o governo federal e o de Minas Gerais para resolver o impasse criado com a decretação de moratória pelo governador Itamar Franco (PMDB). Presente na solenidade de comemoração do primeiro aniversário do Código de Trânsito Brasileiro, no Palácio do Planalto, Padilha, também peemedebista, disse que tem conversado diariamente com Itamar e propôs negociações diretas entre as duas partes.
Sobre a nota do Ministério da Fazenda, anunciando retalizações contra os governos de Minas e do Rio Grande do Sul que estão questionando a União no Supremo Tribunal Federal, o ministro declarou: ‘‘Eu penso que cresce a necessidade de estabelecermos um ponto de encontro entre os interesses dos Estados e do governo federal, pois o impasse não interessa a ninguém, a radicalização indiscutivelmente cria problemas para todos os que radicalizam’’. Segundo o ministro, o processo político é ‘‘mais do que nunca um processo de conversação; temos que conversar e encontrar soluções conversando’’.
Em referência aos acordos de rolagem das dívidas de todos os Estados, que estão em vigor, o ministro dos Transportes disse: ‘‘Se nós temos regras pré-estabelecidas e se não quisermos cumprir essas regras, devemos ter um pacto entre os atores que firmaram essas regras, e esse pacto é que teremos que construir, na minha visão.’’ O PMDB, segundo Padilha, tem trabalhado desde o primeiro momento para que aconteça o diálogo entre Itamar e o Fernando Henrique.
Para Padilha, uma reunião de todos os governadores (ver na página seguinte) seria ‘‘um passo’’, mas enfatizou que o importante mesmo é um ‘‘contato direto’’ entre o presidente e o governador de Minas. ‘‘Os dois têm respeito um pelo outro, embora haja divergências na política econômica, e o presidente tem se colocado à disposição do governador Itamar, e este tem manifestado permanentemente seu desejo de conversar’’, acrescentou o ministro.

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