BRASÍLIA - Empenhado em desviar as atenções das denúncias de compra de votos pró-reeleição, o Palácio do Planalto quer apressar a indicação dos ministros do PMDB, emperrada há mais de um mês. De acordo com um ministro, o escolhido para comandar o Ministério dos Transportes deverá ser o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), apadrinhado pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e pelo líder do partido, deputado Geddel Vieira Lima (BA).
O Planalto também quer preencher logo a vaga deixada por Nelson Jobim na Justiça, mas até o final da tarde de ontem ainda havia dúvidas sobre o nome do novo ministro. ‘‘O que queríamos mesmo era um jurista de renome nacional, mas não deu’’, disse o ministro de Fernando Henrique a um político. ‘‘Escolheremos alguém que agregue apoio no Congresso’’, completou.
Mais do que a escolha para o Ministério, o PMDB da Câmara comemorou ontem a notícia de que o secretário-executivo dos Transportes, José Luiz Portela, teria decidido não continuar no posto. O receio da ala governista do partido era de que o novo ministro fosse obrigado a operar com um subalterno com poder de fogo para atropelar o chefe, pois Portela tem linha direta com o presidente da República.
Um político com trânsito no Planalto revelou que Portela decidiu não ficar com Padilha no comando. ‘‘Ele até já telefonou para o presidente para comunicar sua decisão e, pela primeira vez, Fernando Henrique não foi atendido de imediato’’, contou o político. ‘‘Mas o presidente já sabe que ele está de malas prontas para sair dos Transportes.’’
A cúpula do PMDB jantou ontem na casa do ex-governador Joaquim Roriz (DF), para costurar a unidade do partido. A lista restrita de convidados incluiu o senador José Sarney, os líderes na Câmara e no Senado, Jáder Barbalho (PA), e o presidente do partido, Paes de Andrade, comandante da ala que faz oposição ao governo.

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