A Secretaria Municipal de Recursos Humanos de Londrina aguarda parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM) antes de definir se vai indicar servidores para o Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra dois funcionários do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), acusados de suposta exigência de propina para acelerar processos de doação de terrenos para empresários. Eduardo Ivan Reale (ex-gerente de desenvolvimento industrial) e José Hilário (ex-coordenador de fiscalização e análise de projetos) foram denunciados por corrupção pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O PAD foi autorizado pelo presidente da Codel, Bruno Veronesi, após aprovar o relatório de sindicância interna, mas não foi instaurado "porque os funcionários chamados, que não podem ser os mesmos que atuaram na sindicância, declinaram, dizendo que não se sentiam isentos para participar da investigação". Sem interessados, Veronesi informou que obteve parecer da PGM dizendo que poderia chamar servidores de outros órgãos municipais. "Apresentamos, então, o pedido para que o RH indicasse os nomes."
Contudo, a secretária de RH, Kátia Gomes, preferiu cautela e buscou também na PGM apoio para a decisão. "Queremos saber especificamente se a Secretaria de RH tem legitimidade para indicar, afinal a Codel é empresa de economia mista." Embora a Codel tenha o parecer favorável para buscar servidores de outras pastas para a investigação, Kátia afirmou que o documento emitido pela procuradoria "não disse exatamente que a indicação deve partir do RH".
Enquanto o parecer da PGM é aguardado, Reale e Hilário seguem afastados das funções há cinco meses, sem prejuízo da remuneração. Eles foram denunciados pelo Ministério Público (MP) do Paraná por participação em suposto esquema de propina para agilizar procedimentos de doação de terrenos públicos para empresários. Além deles, foram denunciados Eliana Zamboni (enfermeira, que atuava informalmente como corretora de imóveis), o empresário Dorival Pereira e a secretária dele, Ana Lucia Soares. Na ocasião, os advogados de Reale e Eliana negaram participação dos dois em esquema de propina na Codel. Os demais réus não foram localizados. A ação tramita na 4ª Vara Criminal de Londrina.

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