Pacto entre candidatos adia campanha de rua
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sábado, 31 de janeiro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Oficialmente, a campanha de rua do novo segundo turno em Londrina tem início já a partir do próximo dia 3, quando o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) publica a resolução 547/2009 com as datas do novo calendário eleitoral. Extraoficialmente, porém e com direito a aperto de mãos e acordo entre advogados , os candidatos Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT) fizeram ontem uma espécie de pacto para que as atividades sejam adiadas para 10 de março, quatro dias antes do início do horário eleitoral no rádio e na TV.
O acordo entre o tucano e o pedetista, que não pouparam ataques mútuos na campanha de primeiro turno de 2008, aconteceu ao final de um encontro no Hospital Universitário (HU), de manhã, não divulgado para a imprensa. Segundo a assessoria do hospital, Barbosa, Hauly e ainda os deputados federais Alex Canziani (PTB) e André Vargas (PT) conversariam com o superintendente da instituição, Francisco Eugênio, sobre a liberação de recursos via emendas parlamentares. Apenas o petista, alegando dificuldades de agenda, não compareceu.
De acordo com os dois candidatos, na próxima semana os jurídicos de ambos devem protocolar no TRE um ofício comunicando os detalhes da decisão. Eles divergiram quanto à falta de recursos, mas admitiram que postergar a campanha de rua até março também é uma forma de aguardar se, até lá, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprecia o recurso extraordinário que tentará reverter a cassação da candidatura de Antoni Belinati (PP), imposta pelo TSE. A interposição do recurso só poderá ser feita em fevereiro, após a publicação do acórdão da cassação. Se a decisão do Supremo sair a favor de Belinati e após a realização do pleito e a diplomação do novo prefeito, tanto Hauly quanto Barbosa correm o risco não apenas perder a Prefeitura, como também o mandato parlamentar.
Adiar a campanha de rua agora é o mais prudente: é uma medida racional, inteligente, que vai ajudar a população de Londrina e o processo eleitoral, disse Hauly, para complementar: Além da falta de recursos, pesou também que isso dará o tempo necessário para o Belinati ter a ação dele julgada no Supremo, concluiu o tucano.
Já Barbosa, que também apontou o fator Belinati no Supremo como justificativa para uma campanha mais tardia, descartou que o apelo financeiro tenha norteado a decisão. A cidade já conhece os dois candidatos, já está saturada de campanhas políticas, e eu acredito que, pelo bem de Londrina, esse compromisso político para que a campanha ganhe as ruas apenas em março vai até desanuviar a cabeça do eleitor, afirmou. E tradicionalmente sempre fiz campanha com muito pouco recurso. Na campanha passada, Barbosa declarou à Justiça gastos de pouco mais de R$ 702 mil. Hauly, nos dois turnos, declarou gasto superior a R$ 2 milhões.
Indagados sobre a composição das coligações, uma vez que, esta semana, o TRE foi taxativo quanto à necessidade de manutenção dos acordos firmados no primeiro turno, tucano e pedetista evitaram polemizar sobretudo Barbosa, que viu no segundo turno o PTB de Alex, o PPS de Tercílio Turini e mesmo o presidente do PDT no Paraná, senador Osmar Dias, seus antigos aliados, declararem apoio a Hauly. A coligação será mantida, mas é natural que haja uma reacomodação das forças. Não há como se colocar uma camisa de força nas pessoas, definiu. Já Hauly não demonstrou simpatia à manifestação do TRE. Nunca existiu terceiro turno no Brasil. As coligações acabaram quando acabou o segundo turno, e agora estão tentando legislar sobre algo que não tem parâmetro legal, acredita. Mas e se o Tribunal insistir nas coligações de outrora? Estamos em conversa com todos os partidos, resumiu.


