Pacto distante

O novo pacto federativo, embora venha junto com a reforma previdenciária, não será nem de longe o de Moncloa que uniu a Espanha, posto que Bolsonaro e seus seguidores anunciem algo parecido. Quem deu o novo tom foi o ministro Paulo Guedes: trata-se de uma repaginação do diagrama federativo na qual gestores da União, estados e municípios ficam livres das amarras das vinculações orçamentárias e despesas mínimas obrigatórias.

A PEC surge num momento em que a expectativa seria a da manutenção do ritual do "toma lá, dá cá" em cima do projeto-chave do governo e essa novidade restabelece a dignidade nas relações de poderes e devolve aos políticos, tão ultimamente espezinhados, a autonomia na elaboração da Lei de Meios. Argumento-chave é o de que se devolva o poder decisório a esses níveis de governo com o mais amplo sentido de autonomia.

Assim a atmosfera de restrições para prevenir a gastança, e bem estabelecida na limitação dos gastos por Michel Temer, apropriada como resposta ao clima de Juízo Final, há o anúncio de uma alvorada como se vivêssemos um clima de constituinte. Por sinal que quando votamos a Constituinte de 1988 gerava-se algo utópico, lembrando o primeiro dia da Criação.

É um tom altamente civilizatório e adequado a quem se apresenta como o formulador da estratégia da principal das reformas por não subestimar uma das nossas principais deformações na questão federativa. Como driblar nossa cultura é a questão em todos os níveis de governo.

Linha dura

Ratinho Júnior está obstinado em mudar nossos padrões comportamentais da política e provocou ontem em reunião secretarial, a qual esteve presente o deputado Ademar Traiano, presidente do legislativo, o debate em torno da implementação de compliance na gestão pública. O que mais se fala e se pensa no governo estadual tem sido o que se discutiu em campanha: austeridade, rigor na economia e transparência.

Evita-se, porém, o radicalismo de acatar as primeiras notícias que eventualmente envolvam figuras do governo com decisões negativas na justiça ou o simples enquadramento como se deu nos casos da Superintendência da Fundepar e da Chefia da Casa Civil, o primeiro em sentença de primeira instância, por si só insuficiente para ratificar a culpa.

Justiça e legislativo

Uma das cidades mais atingidas pelo ciclo punitivo, que marcou o País em função da Lava Jato, foi Londrina até por haver atingido em cheio o seu maior líder, Beto Richa. Conflitos entre o poder judicial e o político, representado pelo parlamento e câmaras municipais, fazem parte do jogo democrático, tal qual se observou na resistência da Câmara Federal a duas pesadas denúncias do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Michel Temer e ocorre agora, em nível menor, entre a Justiça, mais Ministério Público, e a Câmara Municipal de Londrina com a absolvição dos vereadores afastados Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB) e cujo afastamento foi prorrogado por mais 180 dias.

O Ministério Público pleiteia uma nova sessão pela cassação dos parlamentares sob o fundamento de que o ato absolutório foi irregular. Na verdade a maioria votou pela cassação com 12 votos favoráveis, três contrários, três abstenções e uma ausência, e a justiça estranha o quórum, entendendo que a maioria simples, 10 entre 19, é suficiente. É um confronto de sutilezas em torno da hermenêutica regimental. E não é pequena a prensa judicial, mas há em jogo também a independência legislativa.

Hora do obsceno

A tuitada anti-carnaval de Jair Bolsonaro teve uma correspondente em Rolândia com o vídeo em que o vereador presidente Eugênio Serpeloni aparece se masturbando. O vereador alegou que não autorizou a divulgação. A revolta tomou conta da cidade e os mais exaltados pedem a sua renúncia do posto e da condição de vereador. Intimidades do gênero revelam que a solidão passou a ser também um risco porque há muito mais voyeur do que se imagina.

Temporal

A tragédia com as enxurradas em São Paulo levanta um tema comum às grandes cidades: lá ficou demonstrado que tanto a prefeitura quanto o governo estadual gastam 41% do que está previsto no orçamento em matéria de cuidados preventivos. É possível que se dê o mesmo em Curitiba, onde há muito tempo as providências com a drenagem se mostram precárias em vários pontos da cidade como se constata ante as últimas chuvas.

Folclore

Bedéis tanto dos colégios como da Universidade sempre foram alvo da troça dos alunos. No Ginásio Paranaense havia o Cândido que costumava dormir, por algum problema de pressão arterial, em meio ao recreio no pátio e o pessoal batendo nas malas soletravam seu nome até despertá-lo. Na privada uma frase rimada com o gordo Mondrone : "de madrugada/ de longe eu vi/ o Mondrone de cueca/ caçando bentevi" .

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