Pacote deixa bancada do PR em alerta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Leandro Donatti 
Se depender da bancada federal do Paraná, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) terá dificuldades para aprovar na integralidade o texto do pacote fiscal. Boa parte dos deputados federais do PFL, PPB e PSDB, todos alinhados ao governo federal, está reticente com as medidas anunciadas na última quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e promete trabalhar pela derrubada de alguns itens do pacote. A oposição paranaense ao governo Fernando Henrique, na Câmara Federal - formada basicamente pelo PMDB e pelo PT -, já avisou que vai votar contra todas as medidas.
O líder do PFL na bancada paranaense, Werner Wanderer, disse que não tem como tolerar o aumento da alíquota da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), de 0,2% para 0,38%. Segundo ele, o governo deveria rever o valor de aluguéis cobrados pelo INSS, que segundo ele estão abaixo dos valores de mercado. Poderia haver um reforço de caixa, sem onerar o servidor, avaliou. Para José Janene (PPB), o aumento do imposto inviabilizará as aplicações financeiras a curto prazo. O presidente deixou o pacote muito salgado. Precisa haver uma reavaliação, sugeriu.
O deputado Luciano Pizzatto (PFL) e o vice-líder do presidente Fernando Henrique na Câmara, Luiz Carlos Hauly (PSDB), pretendem defender em plenário uma compensação para os contribuintes da CPMF no Imposto de Renda (IR). Para Pizzatto, a CPMF poderia subir até 0,5%, desde que o valor pago pudesse ser restituído. Os sonegadores do IR pagariam a conta e o governo federal conseguiria fazer o caixa sem problemas, avaliou. Hauly disse ontem que a sua restrição é apenas com a CPMF. Ninguém gosta de impostos, mas não há outro caminho. Aprovo as medidas, declarou.
Alguns parlamentares da base aliada ao presidente terão dificuldades em avaliar a mexida na alíquota. Ricardo Barros (PPB) foi contra a criação da CPMF. O deputado disse ontem que, apesar de aliado, não pretende se manifestar sobre a matéria. Ele confirmou presença na reunião da bancada pepebista marcada para a próxima quarta-feira com o candidato derrotado ao governo de São Paulo e presidente nacional do PPB, Paulo Maluf. Nelson Meurer (PPB) também aguarda a conversa com Maluf para se manifestar sobre o pacote pesado, porém necessário, conforme avaliou.
O deputado federal Flávio Arns (PSDB) avisou que terá de ser convencido pelo governo para concordar com o pacote. O funcionalismo foi o bode expiatório encontrado pelo governo para justificar os gastos. Outro absurdo foi excluir os militares e os parlamentares do sacrifício geral, criticou o tucano. Arns ressaltou ontem que na sua votação pesarão muito as perdas dos estados e dos municípios. Sou radicalmente contra medidas que tirem dinheiro de governadores e prefeitos, disse. Roque Zimmermann (PT) tem mesma opinião. Para ele, o pacote é antipopular e lesivo.
Paulo Bernardo (PT) disse ontem que vai acompanhar os deputados federais do PT e do PMDB, cuja maioria vai votar contra todos os pontos do ajuste fiscal. O governo federal vai provocar uma recessão violentíssima. A União faz um caixa, mas não divide o dinheiro com ninguém. Estados e municípios vão pagar a conta, observou. Para o petista, os reflexos do pacote também serão sentidos pela classe empresarial. Essa carga tributária derruba qualquer um, afirmou. Integrante da bancada ruralista, Moacir Micheleto (PMDB) está aberto a discussões. Até ontem, só era contra CPMF acima de 0,3%.


