Se depender da bancada federal do Paraná, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) terá dificuldades para aprovar na integralidade o texto do pacote fiscal. Boa parte dos deputados federais do PFL, PPB e PSDB, todos alinhados ao governo federal, está reticente com as medidas anunciadas na última quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e promete trabalhar pela derrubada de alguns itens do pacote. A oposição paranaense ao governo Fernando Henrique, na Câmara Federal - formada basicamente pelo PMDB e pelo PT -, já avisou que vai votar contra todas as medidas.
O líder do PFL na bancada paranaense, Werner Wanderer, disse que não tem como tolerar o aumento da alíquota da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), de 0,2% para 0,38%. Segundo ele, o governo deveria rever o valor de aluguéis cobrados pelo INSS, que segundo ele estão abaixo dos valores de mercado. ‘‘Poderia haver um reforço de caixa, sem onerar o servidor’’, avaliou. Para José Janene (PPB), o aumento do imposto inviabilizará as aplicações financeiras a curto prazo. ‘‘O presidente deixou o pacote muito salgado. Precisa haver uma reavaliação’’, sugeriu.
O deputado Luciano Pizzatto (PFL) e o vice-líder do presidente Fernando Henrique na Câmara, Luiz Carlos Hauly (PSDB), pretendem defender em plenário uma compensação para os contribuintes da CPMF no Imposto de Renda (IR). Para Pizzatto, a CPMF poderia subir até 0,5%, desde que o valor pago pudesse ser restituído. ‘‘Os sonegadores do IR pagariam a conta e o governo federal conseguiria fazer o caixa sem problemas’’, avaliou. Hauly disse ontem que a sua restrição é apenas com a CPMF. ‘‘Ninguém gosta de impostos, mas não há outro caminho. Aprovo as medidas’’, declarou.
Alguns parlamentares da base aliada ao presidente terão dificuldades em avaliar a mexida na alíquota. Ricardo Barros (PPB) foi contra a criação da CPMF. O deputado disse ontem que, apesar de aliado, não pretende se manifestar sobre a matéria. Ele confirmou presença na reunião da bancada pepebista marcada para a próxima quarta-feira com o candidato derrotado ao governo de São Paulo e presidente nacional do PPB, Paulo Maluf. Nelson Meurer (PPB) também aguarda a conversa com Maluf para se manifestar sobre o ‘‘pacote pesado, porém necessário’’, conforme avaliou.
O deputado federal Flávio Arns (PSDB) avisou que terá de ser convencido pelo governo para concordar com o pacote. ‘‘O funcionalismo foi o bode expiatório encontrado pelo governo para justificar os gastos. Outro absurdo foi excluir os militares e os parlamentares do sacrifício geral’’, criticou o tucano. Arns ressaltou ontem que na sua votação pesarão muito as perdas dos estados e dos municípios. ‘‘Sou radicalmente contra medidas que tirem dinheiro de governadores e prefeitos’’, disse. Roque Zimmermann (PT) tem mesma opinião. Para ele, o pacote ‘‘é antipopular’’ e ‘‘lesivo’’.
Paulo Bernardo (PT) disse ontem que vai acompanhar os deputados federais do PT e do PMDB, cuja maioria vai votar contra todos os pontos do ajuste fiscal. ‘‘O governo federal vai provocar uma recessão violentíssima. A União faz um caixa, mas não divide o dinheiro com ninguém. Estados e municípios vão pagar a conta’’, observou. Para o petista, os reflexos do pacote também serão sentidos pela classe empresarial. ‘‘Essa carga tributária derruba qualquer um’’, afirmou. Integrante da bancada ruralista, Moacir Micheleto (PMDB) está aberto a discussões. Até ontem, só era contra CPMF acima de 0,3%.

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