Pacote atrapalha governistas do PMDB
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quarta-feira, 12 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O Conselho Político do PMDB reúne-se hoje à tarde para discutir o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A ala governista do partido, que pretende confirmar o apoio, prevê problemas. Rachado entre aliados da reeleição e defensores da candidatura própria ao Palácio do Planalto, o PMDB exibia ontem uma união nas críticas ao pacote econômico do governo.
Medidas como a demissão de servidores públicos, o aumento dos combustíveis e do imposto de renda sobre os assalariados têm ganho pequeno demais para um custo muito alto, criticou, da tribuna do Senado, o líder Jader Barbalho (PMDB-PA), defensor da reeleição. Não vejo em que as demissões e o aumento linear do imposto que deveria ser cobrado de quem pode pagar mais ajudam no equilíbrio das contas externas, questionou o senador José Sarney (AP), um presidenciável do PMDB que prega a candidatura própria e não irá ao conselho.
O líder Jáder Barbalho admitiu que a discussão do pacote pode dificultar a mobilização governista no conselho político, mas ponderou que não havia como recuar. Eu não convocaria esta reunião hoje, mas o assunto está na pauta e não deliberar seria oportunismo, avaliou Jáder. Toda medida econômica tem repercussão política, mas eu não participo do conselho nem interfiro nele, advertiu Sarney.
Todo o esforço dos governistas ontem era no sentido de garantir quórum para que a reunião de hoje possa produzir o apoio esperado ao presidente Fernando Henrique. É que, a exemplo de Sarney e do presidente do partido, Paes de Andrade (CE), toda a ala da candidatura própria decidiu boicotar a reunião do conselho. Para recomendar ao partido que apóie a reeleição, os governistas têm de mobilizar pelo menos 31 dos 60 conselheiros do partido.
O quórum chegará na véspera, anunciou à tarde o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB). A mobilização antecipada dos oito governadores, dos líderes, dos presidentes de diretórios estaduais e dos dirigentes nacionais do partido teve uma razão concreta: a prévia de ontem à noite para checar os votos e afinar o discurso. O voto no conselho político é secreto.
Não podemos entrar no escuro quando se trata de uma reunião importante como esta, justificou o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-BA). Diante da negativa de Paes de Andrade e do primeiro vice-presidente do partido, deputado Marcelo Barbieri (SP), de presidir a reunião do conselho, o senador Ronaldo decidiu assumir a missão como segundo vice-presidente. E o faço com muita honra.
Liquidada a questão do quórum, os governistas prepararam uma surpresa para o presidente Paes de Andrade. Revoltados com o rótulo de adesistas imposto por Paes, a ala da reeleição decidiu encurtar seu mandato no comando do partido. O conselho deverá referendar a prorrogação do mandato dos dirigentes estaduais até junho, mas não da direção nacional encabeçada por Paes. A idéia é eleger um novo presidente na convenção nacional marcada para 25 de janeiro.
Apesar da cautela, os governistas apostavam na vitória. Não tenho dúvida de que haverá uma decisão favorável ao governo, resumiu o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). O momento de dificuldade dá discurso às oposições, mas também exige solidariedade e força uma definição do partido, ponderou o senador Cunha Lima. O senador José Fogaça (RS) também estava convencido de que as restrições ao pacote não implicariam em afastamento do governo.


