O pacote de medidas apresentadas pela presidente Dilma Rousseff (PT) que recrudesce o combate à corrupção, chamado pelo próprio governo de pacote anticorrupção, atende a parte dos anseios da sociedade. Por outro lado, a necessidade de análise por parte do Congresso Nacional levanta suspeitas da real efetividade das medidas anunciadas pelo governo.
Uma outra medida foi a regulamentação da Lei Anticorrupção apresentada e aprovada em 2013, em resposta aos protestos ocorridos naquele ano, e a criação de um grupo de trabalho envolvendo várias frentes com o intuito de acelerar o trâmite de ações envolvendo esse tipo de crime. Entretanto, enquanto a primeira medida que depende exclusivamente do governo federal foi tomada nesta semana, a formação do grupo não tem prazo para ser efetivada.
Para o cientista social e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Fabrício Tomio, as propostas do governo federal respondem a boa parte das demandas da população cansada de escândalos de corrupção e estão afinadas com medidas pretendidas pelo Ministério Público Federal. O órgão sugeriu, na última sexta, que deve processar não apenas os líderes, mas também os partidos envolvidos no escândalo apurado na Operação Lava Jato e sugere que corrupção seja considerado crime hediondo.
O presidente da subseção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina, Artur Piancastelli, é mais pessimista em relação ao trâmite do pacote anticorrupção em Brasília. "Isso atende em parte o que a população quer, mas será que o Congresso vai aprovar essas medidas? E será que o governo, tão desgastado, tem capital político entre os deputados para aprová-las?", questiona.

O pacote foi anunciado pelo Planalto e traz sete medidas, das quais cinco dependem de aprovação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal

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