Brasília - Três dias após os protestos de 15 de março, a presidente Dilma Rousseff lançou ontem um pacote de ações para aumentar a prevenção e a punição a atos de corrupção. A corrupção, mostrou o Datafolha, foi a principal motivação dos atos em São Paulo. A apresentação do pacote, uma promessa da campanha eleitoral de 2014, acontece no mesmo dia em que o Datafolha mostra uma taxa recorde de reprovação do governo. "Somos um governo que não transige com a corrupção. Essas medidas facilitam a luta contra a impunidade", afirmou a presidente.
O pacote do governo - que agora será enviado ao Congresso - é composto de sete medidas, todas já aventadas ou mesmo já tramitando no Congresso. A primeira é um projeto de lei que torna crime o caixa dois e a lavagem de dinheiro para fins eleitorais. A segunda é uma emenda à Constituição que determina o confisco de bens provindos de enriquecimento ilícito, e a terceira, um pedido de urgência para projeto que já tramita no Congresso para vender, de maneira antecipada, bens apreendidos pela Justiça. A quarta medida é um projeto que obriga o cumprimento da Lei da Ficha Limpa para todos os funcionários federais, inclusive os de confiança - e que trabalhem tanto no Executivo quanto no Legislativo e no Judiciário. A quinta é outro projeto, que criminaliza a incompatibilidade de ganhos e bens de funcionários públicos, e a sexta, um decreto, assinado ontem por Dilma, que regulamenta a Lei Anticorrupção.
Por último, será criado um grupo de trabalho com integrantes do Executivo, do Judiciário e do Ministério Público para estudar e propor medidas que agilizem o trâmite de processos sobre corrupção. "Além dessas leis, é preciso uma nova consciência, uma nova cultura do País, fundada numa moralidade republicana. Ela tem de nascer dentro de cada lar, de cada escola, da alma e do coração de cada cidadão", afirmou a presidente.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ontem que pretende agregar ao pacote anticorrupção apresentado pela presidente propostas de parlamentares que tratam do mesmo tema e estão em tramitação na Casa. "Há vários projetos de lei aqui que também serão recuperados. Votaremos propostas que o governo está mandando e também propostas de iniciativa da Casa."

AVALIAÇÃO
A avaliação ruim/péssima do governo de Dilma Rousseff subiu de 44% em fevereiro para 62% após as manifestações do último domingo, segundo pesquisa Datafolha. Já a avaliação dos que consideram o governo petista ótimo ou bom caiu de 23% no mês passado para 13% agora. De acordo com o instituto, essa é a mais alta taxa de reprovação de um mandatário desde setembro de 1992, véspera do impeachment do então presidente Fernando Collor. À época, a reprovação de Collor era de 68%.
As taxas mais altas de rejeição estão nas regiões Centro-Oeste (75%) e Sudeste (66%). A região Norte é que tem a maior taxa de aprovação (21%). A pesquisa Datafolha foi feita com 2.842 entrevistados em 172 municípios entre segunda e terça-feira. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos porcentuais.

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