Brasília - Em mais uma demonstração de que o discurso para responder às manifestações de rua ainda está distante da prática diária, foi adiada no Congresso a votação da proposta que torna automática a perda de mandato de parlamentares em casos de condenação por improbidade administrativa ou crimes contra a administração pública. Apelidada de "PEC dos mensaleiros", a proposta não foi apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
O projeto se unirá, depois do recesso parlamentar que começa hoje e termina no próximo dia primeiro, a uma longa lista de temas anunciados como prioritários pelo Congresso nas últimas semanas, mas que não se transformaram em realidade antes do recesso parlamentar, uma vez que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não foi aprovada, como determina a Constituição.
A votação da proposta sobre perda de mandatos ficou para agosto devido a um pedido de vista de Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP). Ele é suplente da ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT), e correligionário do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), um dos quatro parlamentares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão e que podem perder o mandato de forma automática na hipótese da aprovação.
Outras propostas anunciadas no meio da reação às manifestações também ficaram para agosto. A lista de respostas pela metade vai do fim do trabalho escravo à destinação de mais recursos para saúde e educação. As justificativas são diversas, de trâmites regimentais a falta de acordo entre as lideranças.

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