Imagem ilustrativa da imagem Pacotaço gera atrito entre presidentes da AL e da Fiep
| Foto: Pedro Oliveira/Alep
Irritado com a audiência não autorizada na AL, Ademar Traiano trocou farpas com Edson Campagnolo: "Ele que mande na casa dele"



Curitiba - A realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná sobre o projeto de lei 419/2016, o novo "pacotaço anticrise" do governador Beto Richa (PSDB), acabou provocando uma "saia-justa" entre deputados e o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiep), Edson Campagnolo. Mais de 200 representantes do setor produtivo, que como a Fiep compõem o G7, além de membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), compareceram ao Plenarinho, na manhã de ontem, a convite de Felipe Francischini (SD), com o objetivo de debater a proposta e entregar um relatório apontando supostas inconstitucionalidades. Eles alegam, porém, que foram "maltratados".
"Cheguei dez minutos antes e me foi informado que a Casa desautorizou o cerimonial a proceder a audiência, o fotógrafo e até mesmo quem servia água para quem ia falar (…) Aqui é um poder público constituído. Se nós não podemos debater e abrir a Assembleia para a população, as entidades e a OAB, temos de nos envergonhar", afirmou Francischini. O líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), contudo, disse que não sabia do encontro. "A mim parece que não foi audiência publica da Assembleia, porque nenhum parlamentar, pelo que eu sei, foi convidado."
Questionado sobre o assunto, o chefe do Parlamento, Ademar Traiano (PSDB), argumentou que a reunião não foi autorizada por ele, e sim pela direção geral do Legislativo. "Havia um pleito inicial para usar a sala da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), mas isso informalmente. E o diretor-geral (Roberto Costacurta), a quem eu fiz a repressão necessária, acabou autorizando o Plenarinho." O tucano falou que lamenta o episódio. "Fomos xingados. Isso não preocupa, porque enquanto eu for presidente, me perdoe o presidente da Fiep, aqui nós é que mandamos. Ele que mande na casa dele", disparou.
Na avaliação de Traiano, o dirigente "joga para a torcida", ao dizer que o conjunto de medidas afetaria a competitividade da indústria. "[A mensagem] não tem nada a ver com prejudicar o segmento produtivo. Está muito claro. O que vai se instituir, se aprovado for, é algo em cima de excedente de energia vendida em outros estados." A matéria possui 153 artigos, divididos em 49 páginas, que tratam de questões como criação de taxas, autorização para estatais ou empresas de economia mista venderem ações sem passar pelo crivo da AL e uma série de adequações administrativas.
Campagnolo negou ter xingado Traiano, a quem mandou um "recado". "Aprendi desde pequeno, nas aulas de OSPB [Organização Social e Política Brasileira] - não sei se ele fugiu dessa matéria na escola - que existem Três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, cada um com suas respectivas responsabilidades. E aprendi que o Legislativo é a casa do povo. Ele, que é deputado há 40 anos, estranhamente não sabe que aquela não é a casa dele. É minha, sua, da dona Maria e do seu João. Espero que volte a ser um dia; talvez não na gestão dele." As bancadas independente e de oposição agora avaliam marcar uma nova audiência. O PL será votado hoje na CCJ.

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