PAC volta a criar atrito entre Lula e petistas
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Luciana Nunes Leal<BR> Agência Estado 
Rio - O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltou a criar atrito, ontem, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus companheiros de partido. Depois de desautorizar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que falou em redução do ritmo das obras, Lula anunciou que vetará parte do Orçamento de 2011, se for mantido pela relatora, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), o corte de R$ 3,3 bilhões nos recursos do PAC.
Em entrevista durante visita ao Complexo do Alemão, Lula mostrou irritação com as notícias de que a ordem de não cortar verbas do PAC tinha sido contrariada pela relatora. ''Não pode torcer para as coisas darem errado ou tentar desmentir o presidente. Vocês sabem que eu tenho poder de veto. Esse Orçamento, depois de votado, vai vir para mim, mas está sendo negociado. O fato de a relatora dizer que quer fazer isso ou aquilo... Primeiro precisa ver se vai fazer. O que eu posso dizer é que não vão cortar dinheiro do PAC'', assegurou Lula.
O presidente lembrou que, naquele mesmo conjunto de favelas, em 2008, lançou o apelido de ''mãe do PAC'' para a futura presidente Dilma Rousseff, àquela altura escolhida por Lula para disputar a eleição presidencial dois anos depois. ''O compromisso da companheira Dilma é pelo desenvolvimento do País, ela foi a gestora do PAC'', disse. Lula pediu cautela nos comentários sobre o Orçamento. ''Vamos esperar ser aprovado, para saber se vai cortar alguma coisa do que nós colocamos'', disse.
Em discurso no Alemão transmitido, por meio de videoconferência, também para moradores da Rocinha, Lula se despediu do Rio de Janeiro e exaltou a parceria da União com o Estado. ''Só lamento não poder inaugurar todas as obras que nós começamos, mas eu tenho a convicção de que nós entramos num ritmo de crescimento que não tem como voltar'', disse ao governador Sérgio Cabral (PMDB).


