PAC: governadores dizem que não foram ouvidos
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terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Ana Paula Scinocca e João Domingos<br>Agência Estado 
Brasília - Os governadores prestigiaram ontem o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas reclamaram por não ter sido ouvidos antes do anúncio. ''Não fomos consultados em relação a nenhuma das medidas'', disse o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). ''Eu acho que um dos problemas maiores do Brasil hoje é a falta de complementaridade, de vinculação dos investimentos dos Estados com os investimentos da União.''
De acordo com Aécio, as medidas anunciadas poderiam significar ''novos ônus para os Estados''. Ele afirmou que o governo federal deveria ter procurado os governadores para tratar das formas de parceria: ''Talvez, seja a oportunidade para discutirmos juntos quais as prioridades de cada Estado, sem preocupação com a paternidade dos investimentos porque, certamente, esses sairiam mais rápido e até com custo menor.''
Dos 27 governadores, somente os de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), e de Roraima, Ottomar Pinto (PSDB), não participaram nem mandaram representantes. Na avaliação de Aécio, governadores foram até o Palácio do Planalto num gesto de boa vontade, pois ninguém deseja que as coisas dêem errado, apesar dos temores de que os governos dos Estados tenham perdas. O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), afirmou: ''Não nos convidaram para a festa e ainda querem que paguemos a conta.''
Mesmo afirmando que o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) deixa a desejar em algumas áreas, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), elogiou a iniciativa do governo federal. ''Começou uma nova caminhada, em alguns setores menos do que a gente gostaria, mas sempre com iniciativas positivas em todas as áreas'', disse ele. Ao contrário de outros governadores presentes, que fizeram críticas ao PAC, Requião não reclamou dos projetos destinados ao Paraná e sinalizou que vai atender aos apelos do presidente Lula, colaborando para a implantação do plano: ''Eu não diria que tudo foi contemplado, mas é um importante passo, uma importante iniciativa.''
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), considerou positivo o lançamento do PAC - que, na avaliação dela, deu transparência ao projeto da administração federal. ''Agora, já sabemos como é. Chegou a vez de cada Estado exigir a sua parte'', recomendou. ''Quero que o PAC dê certo. Espero convencer a bancada de deputados de meu Estado a fazer muitas exigências porque o Rio Grande também tem inúmeras demandas.'' Yeda afirmou que o metrô de Porto Alegre é mais antigo que o de Fortaleza, mas que o contemplado com as obras do Plano de Aceleração foi o da capital cearense.
O governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), parecia perdido entre tantos outros colegas. ''Não sei se pelo fato de uns acharem que o Maranhão não é Nordeste, mas Norte, e outros acharem que não é Norte, mas Nordeste, ficamos esquecidos. Esqueceram do Maranhão'', disse. ''Mas não vamos fazer um drama disso. Tenho uma pauta e essa será entregue ao governo federal.''
O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), discordou da opinião de Lima quanto à perda de receitas do Fundo de Participação do Estados (FPE) com o plano de crescimento. Dias admitiu que o programa faz uma estimativa de renúncia fiscal de R$ 3 bilhões para todos os governos estaduais, mas ressaltou que é uma parcela pequena perto dos R$ 500 bilhões previstos de investimentos em todo o País.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), discordou dos colegas que criticaram o plano. Wagner disse que é ''consistente'' e rebateu críticas de que o Poder Executivo federal faz cortesia com chapéu alheio, deixando para as administrações estaduais o pagamento da conta. ''A moeda sempre tem dois lados: quando o governo federal resolve fazer desoneração, é bom, mas os Estados reclamam quando perdem parte da receita. Agora, se isso impactar o crescimento da economia, todo mundo ganha.''


