Brasília - O novo ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva preencheu as conveniências políticas de um governo de coalizão formado por 11 partidos de tendências ideológicas que vão da centro-esquerda à centro-direita, mas reforçou o viés anti-reformas que deve marcar este segundo mandato.
Após 100 dias do seu segundo mandato, tendo de contornar os problemas naturais de uma aliança tão ampla, o presidente deixou em segundo plano as reformas estruturais que enunciara nas primeiras semanas de governo - previdenciária, trabalhista, sindical, tributária e política.
Para o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será uma alternativa. ''Primeiro, vamos de PAC. Depois, será a vez da reforma política'', disse. Quanto às outras reformas, Múcio acha que ''as propostas surgirão naturalmente'', mas não aposta nelas para este ano.
A resistência de alguns ministros, por entenderem que as reformas significarão corte de conquistas históricas, é expressa sem dubiedade pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT). ''Podem me chamar de antiquado, de atrasado, dizer que estou fora do mundo atual. Mas não vou defender reformas que tiram os direitos do trabalhador. Não tem como sair reforma trabalhista ou sindical sem consenso entre trabalhadores. E o consenso é muito difícil.''
Lupi vê solução para a reforma trabalhista em um ministério vizinho, onde fica a equipe econômica: ''Me disponho a trabalhar pela reforma tributária, que é a principal saída para gerar emprego formal.'' Lupi deixou claro que é contra mudanças na Constituição, no que se refere à questão trabalhista, e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). ''Muitos companheiros e intelectuais dizem que as regras trabalhistas atuais geram desemprego. Pois eu digo que a automação também gera desemprego. Querem me estereotipar. Esta é minha opinião pessoal, mas estou aberto ao diálogo.''
Lula, que demorou cinco meses para montar a equipe, mostrou, na posse de Lupi, que aceitava a resistência do pedetista. Ao justificar por que não dera a Previdência para Lupi, mas a pasta do Trabalho, Lula se explicou: ''Certamente ele teria dificuldades em alguns temas que vamos ter de discutir na Previdência.''
Para a Previdência, Lula levou o ex-titular do Trabalho Luiz Marinho, um de seus mais fiéis aliados. Mas nem o presidente deu esperanças de que trabalhará por uma reforma profunda, capaz de acabar com o déficit da Previdência, que em 2006 foi de R$ 41 bilhões.
No discurso de posse de Marinho e Luppi, em 29 de março, Lula admitiu que o déficit vai permanecer, até porque não pretende fazer reformas com medidas jogadas ''no colo dos pobres''. Uma das idéias é criar uma idade mínima de aposentadoria no setor privado, como já acontece no serviço público.

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