Oviedo provoca constrangimento em Foz
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de agosto de 2003
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - O novo presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, teve uma surpresa no mínimo constrangedora em seu primeiro ato oficial em solo brasileiro. Em Foz do Iguaçu, no sábado, ele ficou frente a menos de 20 metros do ex-general exilado no Brasil Lino César Oviedo, condenado a 10 anos de prisão por uma tentativa de golpe de estado, em 1996, e acusado de mandar matar o vice-presidente Luis Maria ArgaÀa, em 1999.
Empossado na sexta-feira, um dia depois Nicanor já estava na tríplice fronteira, junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para acompanhar a descida de uma peça gigante no poço de uma das duas últimas turbinas da Itaipu Binacional e para assinar convênios de incentivo a pesca e educação. Mas não contava com a presença do ex-militar.
O episódio levou a assessoria de imprensa da usina a esclarecer que o ex-general não foi convidado pelo cerimonial brasileiro. Segundo nota à imprensa, Oviedo conseguiu credencial de forma ''fraudulenta'', possivelmente com ajuda de ''amigos'' e ''maus brasileiros'', ''burlando a segurança e o cerimonial'' e usado ônibus destinado ao transporte dos convidados. A Diretoria de Itaipu lamentou a presença do militar exilado, e considerou que presença dele ''provocou constrangimentos, mas não empanou a solenidade''.
Durante as duas horas do evento, o ex-general esteve entre políticos, empresários e agentes públicos da platéia brasileira. Sua presença causou corre-corre da imprensa paraguaia e brasileira antes do começo e após o fim oficial da cerimônia. Comedido, o paraguaio disse ter livre trânsito no Brasil e que estava na hidrelétrica a convite de um amigo.
Em dezembro de 2001, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de extradição por ver interesses políticos por parte de Assunção. Desde então, Oviedo mantém residência no Brasil. Detentor de alta popularidade no país vizinho, neste ano tentou reconquistar os direitos políticos e ''lançou'' sua candidatura a presidente. Tudo em vão. O Paraguai manteve e mantém a ordem de prisão caso ele coloque os pés em solo guarani.


