Ovídio se explica a FHC e é mantido
Denise Madueño
Agência Folha
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu ontem manter no governo o ministro Ovídio de Ângelis (Políticas Urbanas), acusado de privilegiar Goiás no repasse de verbas federais. FHC tomou a decisão depois de receber Ovídio no Palácio do Planalto. O encontro durou cerca de meia hora. No único pronunciamento sobre o assunto, FHC informou, por meio de seu porta-voz, Georges LamaziSre, que recebeu as explicações do ministro, teve longa conversa e ficou satisfeito. As explicações, segundo LamaziSre, foram satisfatórias e as justificativas, detalhadas e bem substanciadas.
O Palácio não informou quais foram as explicações. Procurado, o ministro não foi encontrado. Ovídio de Ângelis, um dos três ministros do PMDB, sobreviveu à reforma ministerial ao ser transferido da extinta Secretaria de Políticas Regionais para a Secretaria de Políticas Urbanas.
O ministro liberou R$ 32,2 milhões para Goiás, seu Estado e de seu padrinho político político Íris Resende, às vésperas de deixar o cargo. Os recursos representam 63% do total liberado pela secretaria neste mês - R$ 49,6 milhões.
Os dados estão no Siafi (sistema que registra os gastos do governo). O empenho registrado no Siafi significa o comprometimento dos gastos. Do total de 79 contratos que tiveram recursos liberados pelo ministro Ovídio, apenas 5 estavam previstos por emendas feitas ao Orçamento da União.
Os dados contradizem a defesa do ministro. Ele argumentou que os recursos foram destinados por meio de emendas de parlamentares, de bancada e de relatores. A comissão representativa do Congresso deve votar hoje o pedido de convocação do ministro. Ovídio poderá se antecipar e se encontrar informalmente com o presidente da comissão, senador Geraldo Melo (PMDB-RN).
Na semana passada, Ovídio disse a Melo que mandaria um relatório explicando a liberação de recursos da Secretaria de Políticas Regionais, pasta que ocupava até 15 de julho e que foi extinta na reforma ministerial. Até ontem, no final do dia, o relatório ainda não havia chegado ao gabinete do senador.
O pedido de convocação foi apresentado pelo deputado Geraldo Magela (PT-DF), que denunciou o uso político dos recursos da secretaria. A comissão representativa, responsável pelos assuntos do Congresso durante o recesso parlamentar, termina seus trabalhos nesta semana. Caso o ministro não preste esclarecimentos neste mês, o deputado vai pedir seu depoimento em agosto na comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.
Ovídio, ameaçado pelo caso Goiás, recebeu ontem, no Rio, o apoio do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, antes de conhecer a decisão do presidente. Por aquilo que conheço, o episódio tem cores de plena normalidade, cuja anomalia está querendo ser criada por pessoas que, seguramente, têm algum tipo de interesse, afirmou Padilha.
O ministro ressaltou, no entanto, que, a indicação de Ovídio foi feita pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso e não por imposição do PMDB. Ele é homem de confiança do presidente, está sob sua responsabilidade e, logo, quem deve decidir sobre o caso é o presidente, afirmou o ministro, irritado.Presidente ficou satisfeito com justificativas de secretário denunciado por favorecimento a prefeituras de seu Estado
Arquivo FolhaTUDO CERTOOvídio: homem de confiança de FHC acaba compreendido pela sua atitude no último dia no cargo anterior





