Agência Estado
De Brasília
O secretário nomeado de Desenvolvimento Urbano, Ovídio de Ângelis, não convenceu sequer os integrantes da bancada governista de que não favoreceu o Estado de Goiás com a maior fatia de verbas para defesa civil enquanto ocupou a Secretaria de Políticas Regionais. Em depoimento de mais de quatro horas à comissão representativa do Congresso, o secretário afirmou que ‘‘Goiás foi mais eficiente’’, referindo-se à cobrança de verbas feita por prefeitos do Estado, pleiteando a liberação de recursos para obras de defesa civil.
O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), reconheceu que Goiás foi agraciado com a maior parte dos recursos para obras de defesa civil, mas argumentou que as liberações foram legais, reafirmando a noção de ‘‘eficiência’’ dos prefeitos do Estado, defendida pelo secretário. ‘‘Parabéns, secretário, por ter olhado pelo seu Estado’’, disse Vieira. ‘‘Faz parte da tradição republicana os ministros beneficiarem sua terra natal e quem no exercício de cargo público não olha com carinho para questões de sua terra?’’, afirmou.
O líder peemedebista disse que as explicações do secretário convenceram o presidente Fernando Henrique Cardoso a mantê-lo no cargo. Na segunda-feira, depois de ouvir o secretário no Palácio do Planalto, o presidente informou, por meio de seu porta-voz, que estava ‘‘satisfeito’’ com as explicações do secretário nomeado.
Após o depoimento do secretário no Congresso, o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), disse que os parlamentares com quem conversou tinham avaliações diferentes sobre o desempenho do secretário Ovídio de Ângelis. ‘‘Alguns se consideraram atendidos e outros não acharam as explicações convincentes’’, disse. Para o senador, parte das críticas feitas ao secretário deve-se a preconceito em relação à região Centro-Oeste do País.
Ovídio, que permaneceu em pé durante todo o depoimento, não poupou elogios a si próprio e ao governo federal. O secretário foi firme na maioria das respostas - apesar de ter ignorado todas as perguntas da oposição, de quem partiu, na semana passada, a denúncia do favorecimento às prefeituras goianas. O secretário, contudo, não se referiu ao total direcionado para defesa civil, os quais, segundo dados divulgados por sua própria assessoria técnica, foram empenhados mais de R$ 51 milhões, sendo que a maior parte - R$ 24 milhões - foi para Goiânia.

mockup