Até as 18 horas de ontem, os parlamentares da CPI pretendiam ouvir nove testemunhas. Os depoimentos, que começaram no final da tarde, tinham previsão para acabar durante a madrugada. Cinco das testemunhas prestaram depoimentos abertos, mostrando seus rostos. Os outros quatros preferiram preservar a identidade, utilizando capuz ou depondo em local reservado. Os parlamentares prometeram para aqueles que já foram condenados pela Justiça e que colaborarem em seus depoimentos em reduzir suas penas.
Pelos duas das convocadas pelos parlamentares já estiveram envolvidas com o crime organizado. Shirley Aparecida Pontes e Vera Lúcia Bittencourt Crovador são cúmplice e vítima do tráfico de drogas e quadrilha de desmanche.
Shirley fazia parte da quadrilha do traficante Luiz Fernando Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar. E Vera era mulher do advogado criminalista Luiz Renato Cardoso Crovador, que foi assassinado em dezembro do ano passado. Crovador defendia pessoas envolvidas em desmanches ou com vendas de entorpecentes. Ambas estão presas.
A traficante Shirley Aparecida Pontes, 33 anos, tem ficha com a polícia desde abril 1991. Na época, ela foi presa em Mato Grosso, quando policiais encontraram em sua casa cocaína. Acusada de tráfico, ela foi condenada a sete anos de prisão. Como estava grávida, ela foi liberada para ter o bebê em casa, de onde fugiu. Presa no mesmo ano, em Campo Mourão, a traficante foi encaminhada para Curitiba, para onde seria levada a Cacoal (MT), para cumprir pena. No roteiro de transferência, Shirley foi conduzida até ao 9º Distrito Policial, em Campo Mourão. Lá ficou por três dias, sendo resgatada por um grupo fortemente armado.
Somente no começo de dezembro, ela seria presa. Segundo relatório do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Shirley é o braço direito do traficante carioca Fernandinho Beira-Mar.
Vera Lúcia Bittencourt Crovador se envolveu com crime através do trabalho do marido. Ela era casada com o advogado Luiz Renato Crovador, criminalista que atuava junto a pessoas envolvidas em desmache de carros.
Ela foi presa três dias depois de seu marido ter sido encontrado morto. Crovador foi assassinado com dois tiros, um na cabeça e outro no pescoço. A polícia concluiu que Vera teria contratado garotos de programa para matar o marido, em função de apólices de seguro no valor de R$ 300 mil. Um dos assassinos seria menor de idade.