Outros vereadores também negaram
Não foi apenas Roberto Fú quem nunca ouviu falar sobre qualquer assédio ou oferecimento de vantagem para a votação da ''Lei da Unopar''. Vereadores ouvidos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) entre os dias 27 de abril e 2 de maio também negaram ter conhecimento de tais fatos.
As declarações de José Roque Neto, o Padre Roque (PTB), da base de sustentação do governo, foram as menos lacônicas. Ele negou saber de qualquer oferta de propina, mas relatou ao delegado que ''ouviu dizer que o vereador Eloir Valença (PHS) teria ido conversar com o ex-proprietário Unopar Marco Antonio Laffranchi, porém, desconhece o que foi tratado em tal encontro''. Em dezembro do ano passado, a universidade foi vendida ao Grupo Kroton.
Eloir, em depoimento no dia 30 de abril, negou um encontro específico para tratar do projeto, mas disse ter encontrado o ex-proprietário da Unopar em solenidade na Câmara, em fevereiro, onde outros vereadores também estavam presentes. Ele admitiu, porém, ter se encontrado com um advogado da universidade, ''quando o causídico lhe esclareceu detalhes do projeto que estava sendo elaborado''.
O vereador também confirmou que a Unopar doou cerca de R$ 30 mil para sua campanha, em 2008, quando era filiado ao PT. Ao delegado, Eloir disse que considerava importante rever a situação tributária para que a instituição não fechasse as portas em Londrina. Laffranchi não foi encontrado ontem pela reportagem.
Os demais vereadores ouvidos pelo Gaeco, seja da base de apoio ao prefeito ou da oposição, foram praticamente unânimes em afirmar que não tinham conhecimento de fatos concretos sobre eventual vantagem. Roberto Kanashiro (PSDB) disse que ''chegou a ouvir comentários'', porém, não sabia de fatos concretos.
Os vereadores pepista Joel Garcia e Marcelo Belinati, os pedetistas Roberto Fú e Sebastião dos Metalúrgicos, Jairo Tamura (PSB), Rodrigo Gouvêa e Roberto Fortini (ambos do PTC) e Gerson Araújo (PSDB) disseram que sequer ouviram comentários sobre eventual vantagem indevida para aprovação da ''Lei da Unopar''. Até mesmo o prefeito Barbosa Neto afirmou ao delegado que desconhecia ''qualquer oferecimento de vantagem indevida''.
Os depoimentos foram prestados após a prisão do ex-secretário de Governo Marco Cito, e do empresário Ludovico Bonatto, que teriam tentado subornar Amauri Cardoso. Uma semana depois, em 1º de maio, foram presos o vereador Eloir Valença (PHS), o então chefe de Gabinete de Barbosa, Rogério Ortega, e o então diretor da Sercomtel, Alysson Tobias. (L.C.)





