Brasília - O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, pediu demissão do governo interino de Michel Temer (PMDB-SP). A decisão foi anunciada em uma carta enviada na noite de ontem, após conversa com o presidente interino. Em telefonema, feito à tarde, Temer disse ter confiança no ministro e minimizou a gravação divulgada no domingo, em que Silveira aparece orientando investigados pela Operação Lava Jato enquanto era conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Até ontem, Fabiano Silveira comandava pasta estratégica para medidas de combate à corrupção no País.

Silveira é o segundo ministro a deixar a gestão Temer. No último dia 23, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) pediu exoneração do Ministério do Planejamento apenas 10 dias depois de o PMDB assumir a Presidência com a afastamento de Dilma Rousseff do cargo. Jucá deixou a Pasta após a divulgação de suas conversas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que se tornou delator da Lava Jato. Alvo da Lava Jato, Jucá no áudio discute sobre a operação na conversa com Machado, também investigado, e chega a falar em "estancar" a investigação, mostrando preocupação com as apurações em curso que avançam sobre peemedebistas e também outros partidos, como o PSDB.

Os áudios que derrubaram Fabiano Silveira foram exibidos no último domingo pelo programa "Fantástico", da TV Globo. Silveira também foi gravado pelo delator-bomba Sérgio Machado. No áudio, após Machado criticar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Silveira disse: "Eles estão perdidos nessa questão [da Lava Jato]". Segundo o programa, a gravação ocorreu no fim de fevereiro, na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros. Servidor do Senado, Fabiano foi indicado para o CNJ por Renan.

Temer havia deixado Silveira à vontade para tomar a decisão que julgasse melhor. Segundo a reportagem apurou, o ministro ficou preocupado com a reação dos funcionários públicos da pasta, que fizeram protestos nessa segunda-feira pela sua saída e colocaram os cargos à disposição. A reportagem confirmou que dois servidores que ocupam cadeiras de comando em seus estados ameaçavam deixar as posições: Adilmar Gregorin, chefe de unidade na Bahia, e Roberto Viégas, que ocupa o mesmo posto em São Paulo.

Nas palavras de um aliado de Temer, sem respaldo dos funcionários da pasta, "dificilmente Silveira conseguirá se manter no cargo", uma vez que sua permanência poderá paralisar as atividades do ministério. Posição confirmada à noite quando Silveira pediu demissão.

RENAN NEGA
o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou nota ontem para rebater "especulações" e afirmar que não fez indicações para a composição do governo do presidente interino Michel Temer.
"Em face das especulações, reitero de maneira pública e oficial que não irei indicar, sugerir, endossar, recomendar e nem mesmo opinar sobre a escolha de autoridades no governo do Presidente Michel Temer", rebateu Renan na nota.
O peemedebista ressaltou que externou ao presidente interino que "a indicação de nomes é incompatível com a independência entre os Poderes da República". De acordo com ele, sua contribuição com o governo interino se dará "a partir de agendas e programas". "Essa é a melhor maneira de colaborar para superarmos a grave crise atual", disse.
Apesar de negar indicações ao governo, Renan é tido como o padrinho de Silveira no cargo.

REAÇÃO
Na manhã de ontem, a entidade que representa os servidores da antiga Controladoria-geral da União (CGU) divulgou uma carta pública em que pedia a demissão do ministro. O Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical) também afirma que deve haver "demissões em massa" em representações regionais. Além da entidade trabalhista, parlamentares da base aliada também pediram a saída do ministro.
Pela manhã, servidores da CGU fizeram um protesto no prédio do órgão, em Brasília. Com vassouras e esfregões, eles "lavaram" a porta do gabinete do ministro, a escada e o hall de entrada do edifício. Mais tarde, parte deles seguiu em caminhada até o Palácio do Planalto.

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