Outro ex-ministro de Lula aparece em lista
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terça-feira, 25 de julho de 2006
Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - Mais um ex-ministro da Saúde no Governo Lula estaria entre os suspeitos de participar da máfia das ambulâncias. O comando da CPI dos Sanguessugas informou ontem que o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG) aparece na lista de 34 parlamentares que seriam notificados pela comissão a partir de ontem. Com isso, o número total de investigados subiu de 57 para 91 parlamentares. Além de Felipe, Humberto Costa (que também comandou a Pasta da Saúde) também foi citado. O nome de Felipe foi citado nos depoimentos de Maria da Penha Lino, sua ex-assessora no Ministério, e do empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, sócio da Planam.
Segundo parlamentares da CPI, os dois empresários sinalizam que o ex-ministro tinha conhecimento do esquema dos sanguessugas. ''Ele e a Maria da Penha eram muito amigos. Ele ajudaria a agilizar os processos da Planam'', disse o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA).
O deputado Júlio Delgado (PPS-MG) disse que o fato de Maria da Penha ter assumido um cargo no Ministério na gestão de Felipe é suficiente para que os dois sejam relacionados. ''Alguém colocou ela lá. Não me venha falar que foi indicação do Divino'', afirmou.
Delgado disse que, até agora, o nome do ex-ministro José Serra (Saúde) não foi citado em nenhum dos depoimentos nem aparece nas investigações.
A CPI vai investigar Saraiva Felipe porque ele é deputado. O ex-ministro Humberto Costa não será chamado a dar explicações neste primeiro momento. O presidente da comissão, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse que o foco da comissão inicialmente serão os parlamentares com mandato.
Membros da CPI foram ontem na Polícia Federal buscar mais informações sobre os sanguessugas. A expectativa é que a PF tenha mais dados sobre os deputados que estão sendo investigados. O alvo da CPI são 90 parlamentares. Pela manhã, Biscaia disse que seriam 91, mas as contas foram refeitas e a comissão percebeu que tinha um ex-parlamentar na lista.
A CPI decidiu ainda notificar mais 34 parlamentares acusados de participar da máfia das ambulâncias. A decisão foi anunciada ontem pelo presidente da comissão, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), e vai na contramão do que defende o relator da CPI, senador Amir Lando (RO). Anteontem, o relator da CPI disse que não iria notificar os parlamentares citados no depoimento do empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, um dos sócios da Planam, empresa que seria a cabeça do esquema.
Lando justificou que a comissão só iria avaliar num primeiro momento os casos com provas cabais. Houve uma reação de membros da CPI e ele acabou vencido. Entre os notificados devem estar os senadores Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MT). Os dois se somam ao líder PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), que já foi acionado pela comissão. Os demais são deputados.
Outra divergência da CPI é com relação a data da apresentação do relatório final. Biscaia disse ontem que o resultado da comissão deve ser apresentado nos dias 9 ou 16. Anteontem, Lando anunciou que vai apresentar seu relatório dia 18 e que não é possível adiantar esta data.


