'Outras votações renderiam dinheiro'
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terça-feira, 24 de abril de 2012
Paula Barbosa Ocanha <br> <br> Reportagem Local 
O vereador Amauri Cardoso (PSDB), em entrevista à imprensa e em discurso no plenário da Câmara de Vereadores de Londrina, afirmou que teria recebido propostas de dinheiro para votar contra a CP da Centronic e até a favor de projetos de autoria do Executivo. As propostas teriam sido feitas pelo ex-secretário de Governo e atual coordenador de campanha do PDT, Marco Cito, e pelo empresário Ludovico Bonato, para beneficiar o prefeito Barbosa Neto (PDT).
O vereador, após ter auxiliado nas investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que culminaram na prisão de Cito e do empresário, chegou na Câmara ontem por volta das 15 horas para conversar com os vereadores e passar informações sobre o caso. O vereador informou que conhecia Bonato há anos, quando começou sua carreira no magistério, ainda nos anos 80. ''Comentei com um dos assessores do prefeito, que sempre estão aqui na Câmara, que eu conhecia e gostava muito do Bonato. Após esse fato comecei a receber ligações dele (Bonato), que sempre falava que se eu precisasse de alguma coisa era para avisar.'' Segundo o vereador, nas conversas o empresário sempre ressaltava ''que o prefeito estava sendo muito perseguido'', e que ele ''seria muito importante na base''.
''Chegou um momento, quando estava se aproximando a Comissão Processante, que eu comecei a perceber algumas insinuações, que se eu votasse com a base, por exemplo, teria alguns benefícios, cargos na administração.'' Segundo o que sustenta Amauri, foi nesse momento que ele procurou o Gaeco e as investigações foram iniciadas. ''Eles me deram um relógio que gravava voz e fazia vídeo e um chaveiro. Eu sempre usava nas conversas que tive com Cito e Bonato'', explicou.
O vereador alegou que foi ofertado a ele R$ 20 mil antes da votação, o mesmo valor após, e R$ 40 mil na campanha eleitoral. ''São R$ 80 mil só para essa votação. Quando ele começou a oferecer valores eu disse que queria o mesmo tanto que outros vereadores estavam recebendo. Ele que ofereceu o dinheiro, eu só dava corda'', salientou sem citar nomes. Ele ainda alegou que houve insinuação de que outras votações renderiam dinheiro. ''Lei da Muralha, fim de débitos para Unopar, tudo isso foi citado nas conversas, e eles falaram que eu poderia ter muito mais.''
Por fim o vereador alegou que na noite de segunda-feira, quando seria feito o repasse do dinheiro, Bonato avisou que ''não tinha todo o valor, mas que pegaria com o chefe''. O mencionado ''chefe'', segundo o vereador tucano, seria o prefeito. ''Para mim, o homem que está por trás é Barbosa Neto. Bonato só foi o homem usado para me assediar, mas tem mais coisas por trás disso.''
Amauri assumiu uma cadeira no Legislativo apenas no início de março, no lugar de Márcio Almeida (PSDB), que renunciou ao mandato para uma vaga no governo estadual.
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