Outras estatais teriam grampo
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sábado, 14 de novembro de 1998
Patrícia Zanin 
Técnico da empresa de Curitiba que detectou na segunda-feira o rádio transmissor sob a mesa da sala da diretoria do Banestado, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, afirmou ontem à Folha ter localizado outros cinco aparelhos do mesmo tipo há cerca de 30 dias em outra empresa estatal, que ele não revelou o nome. O técnico, que não quer se identificar alegando resguardar a si e a empresa, disse que os equipamentos - desativados - estavam dentro de gavetas do presidente da estatal e de diretores. Ele não soube informar qual a providência adotada.
Levantamento da Folha junto à Polícia Federal e ao Instituto de Criminalística do Estado mostra que não há pedido de abertura de inquérito para investigar o caso anterior. Já o desta semana foi protocolado anteontem na Polícia Federal em Curitiba. O corregedor da PF, José Milton Rodrigues, disse que só deve se pronunciar sobre o episódio na próxima semana. Tenho orientação expressa da chefia para não fazer comentário, disse ontem. A Polícia pode determinar a abertura de inquérito para apurar responsabilidade pela instalação do rádio transmissor. A PF não permitiu foto do equipamento.
O técnico da empresa responsável pela localização do rádio na sala da diretoria do Banestado disse que o trabalho foi coisa de amador. Estava encaixado num vão nos pés da mesa de reunião e funcionava a pilha, acredita. Segundo ele, o rádio era pouco maior que uma caixa de fósforos e estava sintonizado em Frequência Modulada (FM) em 99,7 MHz. Se a PF determinar abertura de inquérito, o técnico acredita que será chamado para prestar depoimento.
Ele informou ter recomendado à presidência do Banestado cortar o acesso de funcionários à área. É preciso colocar restrições, defendeu. Dois técnicos ainda estão fazendo varreduras em vários setores do Banco, que só devem terminar na próxima semana. Segundo ele, a empresa cobra R$ 15,00 para vasculhar cada metro quadrado do ambiente.
O técnico disse ainda que a empresa está no mercado há dois anos para investigar casos de espionagem industrial. Casos de rádios transmissores, segundo ele, são raros. Os mais comuns seriam grampos telefônicos para escutas clandestinas. A procura pelo serviço teria aumentado em 100% do ano passado para este ano. A podridão em geral tá aí, afirmou.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, José Francisco da Silva, funcionário licenciado do Banestado, disse ontem que os servidores do Banco são 98% contra o presidente e não contra o Banestado. Ele contestou as declarações do presidente do Banco, Manoel Campinha Garcia Cid, que disse que 98% dos empregados são contra o banco, contra o patrão, ao dizer que servidores poderiam ter instalado o aparelho. Ele já provou que é despreparado para a função, criticou o sindicalista.


