Levantamentos como o realizado pela FOLHA com os 399 municípios do estado deveriam ser feitos, ''obrigatoriamente'', por aqueles que pleiteiam a chance de governar o Paraná - uma vez que seria, essa, uma forma de conhecer os problemas a serem enfrentados com propostas ''viáveis e responsáveis''. A opinião é do professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Censi, para quem tal análise, por parte dos postulantes, é preciso ser feita com antecedência. ''E ter esse tipo de conhecimento não é opcional, é obrigação de quem quer governar.''
De acordo com o analista político, o ideal é que a campanha seja o momento em que o candidato apresente um conjunto de propostas articuladas e consistentes para um governo de quatro anos. ''A fim de se evitar o mundo da fantasia que tantas vezes a gente vê o sujeito pintar ao eleitor. Para isso, antes, o candidato precisa conhecer o estado, seus problemas e as mudanças que precisam acontecer. A partir daí, ele constroi um projeto que contemple um plano de governo para o período, mas algo que vá além dos quatro anos - temos problemas agora que vão aparecer depois, por isso a adoção de medidas de curto, médio e longo prazos precisa ser considerada''.
Censi aponta um terceiro aspecto que, avalia, não parece ser prioritário, ainda que, junto ao eleitor e mesmo no processo democrático, seja fundamental. ''Na propaganda se pede voto em cima de um programa de governo, e, para não cometer um estelionato eleitoral, o governante que se eleger tem a obrigação de executar o que prometeu. O que ocorre, infelizmente, muitas vezes é a inconsistência das propostas em relação àquilo que se apresenta e àquilo que se faz depois'', observa. ''E se é assumido um compromisso com o eleitor, com base em propostas, o descumprimento gera uma ruptura depois.''
A reportagem quis saber do analista até que ponto o eleitor, ou melhor, o cidadão, também tem sua responsabilidade no sentido de cobrar um governo conforme o prometido. Se democracia é composta por direitos e deveres, lembra Censi, o eleitor tem, sim, a parte que lhe cabe.
''Não basta não vender voto, não aceitar troca de favores nem votar em candidatos bizarros, pois isso implica também em uma postura de pouca responsabilidade: o eleitor precisa estar atento a promessas mirabolantes que desconsideram o orçamento do estado e as necessidades elementares e prioritárias, por exemplo - isso é bem observado na Saúde -, e não cair nessa pirotecnia que trabalha muito em campanha'', sugere, para concluir: ''O acompanhamento sistemático de seu candidato evita essa história de 'festa da democracia' a cada quatro anos. Precisamos aperfeiçoar os processos de participação para evitar que essa mesma democracia não seja apenas formal, mas efetiva''. (J.G.)

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