São Paulo - O otimismo foi o sentimento quase unânime dos empresários e representantes da sociedade civil que participaram ontem da reunião para a formação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no Hotel Intercontinental, em São Paulo.
Mesmo sem formato e organização definidos, os quase 150 participantes da reunião consideraram positiva a iniciativa da criação de um conselho que servirá para assessorar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva nas questões mais polêmicas.
Existe entre os participantes, entretanto, o temor de que o conselho se torne ineficiente caso haja um número muito grande de integrantes e uma indefinição nos temas que devem ser discutidos. ''Será preciso reduzir o número de pessoas e dividir as tarefas. Será uma administração de talentos e vaidades'', admite o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva.
O presidente da Febraban, Gabriel Jorge Ferreira, disse que o ideal seria manter no máximo 20 ou 30 pessoas, metade do que tem sido proposto sob o risco de que ''as idéias fiquem muito dispersas''.
Para o deputado Armando Monteiro Neto (PMDB-PE), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a formação do conselho é um compromisso de Lula em promover um diálogo mais amplo com a sociedade.
Segundo ele, o pacto social seria uma decorrência do trabalho desse conselho, mas este não seria um espaço para resolver os conflitos da vida social. ''Se não houver uma agenda, não iniciaremos uma discussão mais profunda. Existe um pacto de vontade'', disse Monteiro Neto ao deixar a reunião, antes do discurso de Lula.
Para o deputado e ex-sindicalista Luiz Antônio de Medeiros (PL-SP), Lula fez ontem um discurso de estadista e foi muito ''generoso''. ''Quem governa não pode ser rancoroso'', disse Medeiros, que fundou e presidiu a Força Sindical, organização sindical contrária à Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT.
O deputado disse que, durante a reunião, lembrou que um dos participantes da reunião, há dez anos, disse que nunca votaria em um ''louco desses'' fazendo referência a Lula. ''Hoje, ele está aqui aplaudindo forte.'' Medeiros não quis dizer quem era esse personagem.

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