''O Barbosa (Neto) não é o PDT, o Barbosa é o Barbosa - o PDT é maior do que qualquer filiado.'' A declaração dada ontem à noite à FOLHA pelo presidente estadual do partido, senador Osmar Dias, restringe a uma ''escolha pessoal'' do ex-candidato o apoio ao ex-prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PP). Osmar, que esteve na cidade na última quinta para oficializar o apoio a Luiz Carlos Hauly (PSDB), se disse ''surpreso'' com a decisão de Barbosa, anunciada ontem pela manhã. ''Fui comunicado por ele hoje (ontem) cedo, de forma muito respeitosa, mas como tínhamos conversado na quinta e ele se disse neutro, para foi uma supresa'', admitiu, para ressalvar: ''Mas isso não tem nada a ver com o posto que ele ocupa dentro do partido''.
Em reunião com os filiados em Londrina, há pouco mais de uma semana, Barbosa se firmara neutro nos apoios, mas os liberara para apoiar quaisquer dos dois postulantes ao Executivo municipal. Indagado na semana passada, pela FOLHA, se a neutralidade se revelaria uma forma de omissão - conforme defendera, no mesmo dia, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire -, o senador chegou a afirmar que a máxima não valia no caso de BArbosa. ''Acho até que ao se afastar ele deixa que os eleitores de Londrina tomem uma decisão livre, sem interferência dele'', afirmara. Ontem, Osmar minimizou a tomada de decisão após a manifestação da Executiva no Paraná.
''Essa decisão pessoal do Barbosa talvez tenha sido em função de que foi muito atacado no primeiro turno. Mas eu tenho que olhar para o que é melhor para a cidade, não para questões pessoais'' - as quais, destacou, teriam sido analisadas por Barbosa de forma isolada. ''Ele não combinou isso comigo. Mas, assim como o eleitor está livre para escolher, estamos livres para apoiar - não vejo nada de eticamente errado dentro do partido em relação a isso, para ser apurado; acredito que o Barbosa agiu de acordo com a consciência dele'', encerrou.
Para o secretário-geral do PDT no Paraná, Larson Leitzke, a ''decisão pessoal'' não gera conflito para o eleitor do partido em Londrina, tampouco ''racha'' ou demonstra falta de unidade na sigla. ''Foi até uma decisão inteligente a dele, de se manter neutro esse tempo todo'', disse. O que acha do apoio ao ex-prefeito, dentro do que o PDT prevê como programa de governo mais adequado? ''Não sei, acompanho pouco o Belinati. O eleitor está atento às propostas'', resumiu.

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