Osmar quer autocrítica do PSDB
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de outubro de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Após as derrotas no Paraná, o senador Osmar Dias reflete que o PSDB precisa fazer uma autocrítica. No entendimento dele, os tucanos não obtiveram bons resultados porque o eleitor não soube identificar qual a posição política que o PSDB do Paraná adotou nessa eleição municipal. Eu sempre fiz oposição ao governo do Estado e também ao governo federal, mas o partido não fez. E, por isso, está pagando esse preço. O partido tem que se definir como um partido de oposição no Estado. Isso é o que eu sempre defendi. Isso não quer dizer que, agora, eu esteja com a verdade. O eleitor hoje exige clareza, ou se está a favor desta política, ou se está contra.
Nos grandes centros houve um reflexo do desgaste que sofre o governo federal, principalmente, e também o governo do Estado. E o PSDB não se colocou como uma oposição muito clara ao governo estadual. Essa confusão trouxe um desgaste aos candidatos do partido. Nos grandes centros há uma discussão maior sobre a política nacional e estadual e acho que o PSDB pecou por não ter assumido, aqui no Estado, uma posição de oposição clara. Esse recado que a população está passando é exatamente esse, disse Osmar.
Nós temos que discutir Londrina, Maringá e Curitiba. Não necessariamente que os três municípios tenham que ter a mesma decisão. Porque são projetos locais que devem ser discutidos. Temos que adotar uma postura sem omissão nesse momento, afirmou. Eu sempre fui oposição, eu deixei sempre clara minha posição contrária a atual política que vem sendo desenvolvida no Paraná e acho que o partido deveria ter feito isso antes, principalmente na Assembléia Legislativa.
Já o senador Alvaro Dias disse que o resultado das eleições é um reflexo da vontade popular. De um modo geral, não só em Maringá, a população rejeitou a reeleição, o povo não gostou da experiência com o Presidente da República e o governador. E o Ministério Público trabalhou forte. Aqueles prefeitos denunciados foram derrotados, em qualquer circunstância. A população optou por uma postura ética, comentou Alvaro em relação a Jocelito Canto, que perdeu a reeleição em Ponta Grossa.
Sobre o fracasso tucano em Londrina, o senador foi reticente. Não estou autorizado pelo candidato (Luiz Carlos) Hauly a dizer isso, mas a forte ligação dele com o presidente da República pesou na eleição de Londrina. E também pesou o fato dele ser considerado por boa parte da população como o algoz do prefeito cassado (Antonio Belinati, PFL). Esses dois fatores pesaram sobremaneira na eleição de Londrina.
Em Foz do Iguaçu, o candidato (deputado estadual Sérgio Spada) provavelmente cometeu algum equívoco estratégico no final da campanha, porque liderava a campanha do começo ao fim, com larga margem. A surpresa dessas eleições foi a derrota do Sérgio Spada, assinalou Alvaro.


